quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A dor da perda como o custo do compromisso de amar

Muitos acreditam que o amor se constitui na mais intensa fonte de prazer na vida, ao passo que a perda é compreendida como a mais profunda fonte de dor e sofrimento. A construção de relações íntimas e intensas entre os seres humanos, mesmo diante da existência de limites e desafios, permite pensar que é transitoriedade da vida que enaltece o amor e compõe fundamentalmente o compromisso, possibilitando a consolidação de um laço emocional capaz de vincular duas ou mais pessoas durante uma longa trajetória de vida.

Logo, é possível dizer que a resistência humana frente às rupturas do ciclo da existência encontra-se conectada à natureza das alianças afetivas anteriormente firmadas, à medida que, uma vez estabelecidos, estes elos dificilmente poderão ser afrouxados. Entende-se também que quanto maior o potencial para a perda, tanto mais acentuada é a força do vínculo. Por tantas razões, a dor da perda refere-se ao custo do compromisso de amar.

O luto, caracterizado como um conjunto de reações normais e esperadas diante do rompimento de uma relação de amor, envolve uma série de mudanças psicológicas que precisam de atenção e cuidados. Logo, a dor da perda está associada à dor das mudanças, na medida em que, partir da circunstância da ausência da pessoa querida, o enlutado precisará repensar os conceitos sobre o mundo e a vida, sentirá a discrepância entre a realidade e os seus constructos internos e reorganizará as maneiras de viver depois da perda. Contudo, ainda que as separações causadas pela ausência, em vida, da pessoa amada sejam razão de tamanha dor, o processo inerente à sua elaboração, ao longo da vida, é fundamental para a saúde mental, ao passo que promove a reconstrução dos recursos psíquicos e readaptação frente às mudanças.

A psicologia, neste sentido, pode contribuir de forma importante na mediação entre novas possibilidades de reconstrução da vida em meio à dor do luto e a ressignificação desta intensa experiência numa perspectiva de conexão do enlutado com a pessoa amada por meio das lembranças e da saudade. O psicólogo promove um espaço seguro para que o enlutado possa reconhecer sua dor como parte natural do processo de luto; permita-se sentir as emoções de confusão, tristeza, raiva, culpa, medo, assim como as sensações de vazio e perda de sentido na vida e, ao longo do seu tempo, possa encontrar caminhos para voltar a reinvestir nas relações afetivas e no viver. Afinal, a única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida. E, para viver de verdade, é preciso pensar e falar sobre as mudanças impostas pela morte.

Conversar sobre a(s) sua(s) perda(s) com um psicólogo refere-se a um ato de coragem. E cuidar do seu luto trata-se, sobretudo, de uma proposta de amor... um amor que permanece vivo na lembrança e saudade de uma relação que nunca morre na ausência e esquecimento!

Nenhum comentário:

Postar um comentário