domingo, 10 de novembro de 2013

Apaixone-se por alguém que tem luz própria, não por quem só reflete o clarão alheio. Há uma diferença significativa entre aquele que apresenta luz em sua essência e quem precisa da luz dos outros para brilhar. Encante-se por alguém que reluz naturalmente.

A luz se faz presente naquele que gosta de conversar sobre coisas que nem sempre são confortáveis, que não se faz senhor do saber, que reconhece a importância das diferenças, que não tem medo de pedir desculpas. Porque quem tem luz também erra e reconhece as suas próprias limitações.

A vida é uma rosa. Mas também a rosa tem espinhos. As coisas não são sempre bonitas demais. Você precisa encontrar alguém que se reconheça mesmo diante dos percalços da existência. Isso sim é luz própria... uma luz que não apaga definitivamente só por ter de se deparar com os desafios impostos pela vida. 

Não se entregue para ninguém que não for capaz de lhe fazer sentir-se a pessoa mais importante. A vida é permeada por prioridades. E se você não tiver a oportunidade de sentir-se no topo pelo menos uma vez pela pessoa amada, talvez não valha a pena esperar muito. Não espere demais por aquele que não sente a necessidade de se aproximar. Pouca falta faz aquele que muito se ausenta, afinal. 

E não se importe demais com aquele que parece estar caminhando a passos largos sem você. Talvez, esforços contínuos para tentar alcançar quem não reduz o passo sejam cansativos e desgostosos. Encontre alguém que queira andar junto com você. Lado a lado já é o suficiente.

Cuide de si, porque isso ninguém pode fazer melhor que você mesmo... mas não se prive de deixar entrar uma luz que lhe faça claro quando a sua parecer ofuscada. A luz essencial que você tem talvez não brilhe intensamente todos os dias. Então, você pode abrir a janela da alma para deixar que o sol a energize e a reacenda.

E o mais importante: permita-se 'ser' por alguém que lhe possibilite sentir a completude do amor... e não que somente fale dele. Todo mundo sabe falar de amor, afinal. Não queira todo mundo. Queira apenas alguém que lhe complemente. Alguém que acrescente a chama, e que não precise se utilizar da sua luz para autoafirmar as falsas perspectivas da vida... tão vazias como o próprio ser cuja luz só se faz reflexo.
Dias cinzentos.
Nublados. Pesados.
Dias difíceis.
Vem, sol, que eu quero a tua luz a me iluminar.
Vem, novembro. Deixa a dor do outubro passar.
E quem dirá que é fácil amar? Amar não é fácil, não.
O amor, às vezes, morde, belisca, arranha, aperta.
Amar, às vezes, faz doer. 
E quem está disposto a se machucar?
Alguém, um dia, disse que a dor vem do custo do compromisso de amar. E eu achei isso muito importante.
Amar requer entrega. E entregar-se também não é fácil.
A entrega vem de dentro. A entrega causa medo. E o medo também pode machucar.
Mas aquele que se dispõe a arriscar...
... testemunha um dos sentimentos mais sublimes do Universo.
O amor liberta. Reaviva. Cicatriza a ferida. Atenua a dor.
Do amor emergem o doce beijo, o confortante abraço, o carinho mais agradável, o sorriso mais bonito, a entrega mais verdadeira.
O amor também colore as páginas da existência.
O amor transcende a vida.
E, então, ela se deu conta de que, talvez, não fosse tão ruim viver sozinha.
Permaneceu assim por tanto tempo, afinal.
Rodeada pela multidão na superficialidade das relações; solitária no percurso da sua existência.
Mas viu também o quão necessário foi estar desacompanhada ao caminhar pelo deserto.
A solidão mostrou-lhe, de fato, que conhecer-se a si mesma é fundamental para seguir em frente.
E que viver por si, na sua maior essência, é mais importante que habituar a sombra alheia.

Que bom termos a possibilidade de selecionarmos os nossos amigos. Sobretudo aqueles que param de falar mal da gente quando percebem que estamos nos aproximando. Penso que ocupar o precioso tempo que se tem falando constantemente da vida alheia seja, nada mais, nada menos, que autoestima baixa e a consequente tentativa de se autoafirmar. Acredito que aqueles que tanto falam da gente, talvez, tenham vontade de ser como nós. Como somos importantes, então. A estes amigos: a minha indiferença. E também o meu afeto e bem-querer, para que aprendam que nada é melhor que curar o ódio com amor.
Entregue-se por inteiro mesmo àquele que se doa pela metade.
Ensinar o outro a amar nunca fez mal a ninguém.