sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A criança como um meio para o consumo - análise de documentário



Atualmente, vive-se em um mundo de transformações, na chamada “era da ansiedade”. Neste sentido, pode-se afirmar que as crianças de hoje não possuem mais uma infância como a de tempos remotos, considerando que os pais, por sua vez, também não encontram mais tempo, em suas vidas atribuladas, para orientar e proteger seus filhos. Deste modo, faz-se a tentativa de suprir essa falha de vínculo e integração com os filhos de maneira a afrouxar a sua educação, deixando que a liberdade e a permissividade façam-se presentes de forma excessiva. Logo, o amadurecimento precoce dos jovens vem contribuindo significativamente para o caos da família moderna e da sociedade como um todo (Almeida & Nickel, 2010/2011).
Atualmente, a mídia tem cumprido importante papel no que diz respeito ao desenvolvimento do ser humano e seus modos de subjetivação e tem-se mostrado bastante presente no que tange à influência causada aos aspectos do ser e ter da sociedade. Não se pode negar que as crianças, desde muito cedo, acabam sendo os seres mais afetados por estes recursos, diante da diversidade de estímulos que são oferecidos diariamente, logo, tornando-as consumidoras precoces, por exemplo. Considerando que as crianças encontram-se incapacitadas para a tomada de determinadas decisões e que, sendo assim, apresentam-se diante da sociedade como alguém de maior vulnerabilidade, a publicidade passou a utilizá-las como um alvo certeiro para a venda dos produtos no mercado consumidor de forma exorbitante.
A infância, carregada de leveza e inocência em sua essência, como era vista em tempos remotos por meio do brincar, por exemplo, passou a dar espaço para o consumismo dos recursos industrializados, apenas. Observa-se que as crianças, atualmente, são vistas como um mini-adulto, enquanto também sentem gosto por se comportarem como tal, menosprezando a arte do brincar, tomando-a como algo desnecessário, mas atribuindo importância ao consumir semelhantemente a um adulto. À mídia, por sua vez, pode ser atribuída a responsabilidade pelo fato da criança querer sentir-se um adulto – desconsiderando a falta de maturidade e progresso cognitivo envolvidos em cada etapa do desenvolvimento transgredida por meio da influencia exercida pelo social.
O consumismo infantil tem se tornado perceptível às famílias, à medida que os filhos dirigem-se aos seus pais, alertando-os sobre o “seu” desejo pelas roupas e sapatos das marcas X ou Y – a marca dos vencedores – bem como quanto aos demais produtos comercializados. Acredita-se, contudo, que não há, aí, uma forma desejante própria da criança, mas um desejo que lhes fora imposto pela mídia – um desejo implantado – considerando que há vulnerabilidade por parte da criança para a tomada de determinadas decisões. Pode-se pensar que a publicidade, neste sentido, é capaz de enraizar o desejo às crianças, fazendo-as pensar que a obtenção dos mais variados produtos as torna singular, diferenciadas das demais enquanto construtoras das suas próprias identidades, mas ao mesmo tempo, pertencentes ao grupo e reconhecidas perante a sociedade também consumista. A prática consumista das crianças, neste sentido, mais parece estar ligada à uma espécie de passaporte para a entrada nos grupos como uma condição de pertencimento.
Os familiares e, mais especificamente os responsável por essas crianças podem reforçar essas práticas consumistas, à medida que, diante das inúmeras responsabilidades que lhes compete, acabam tornando-se, muitas vezes, figuras parentais ausentes à criança. Logo, compensam a sua falta através da aquisição dos produtos vendidos no mercado e, consequentemente, reforçam o desejo desenfreado da criança na obtenção de novos produtos. Sem contar que a mídia pode servir, neste sentido, como a precursora do desenvolvimento da subjetivação da criança, já que a publicidade conversa com esta todos os dias, enquanto que os pais ausentes conversam só quando disponíveis. A família vem, a cada dia, perdendo seus principais valores – respeito, educação e disciplina. Não se pode negar que é em função do relacionamento entre pais e filhos encontrar-se cada vez mais pobre e carente de afeto, carinho, diálogo e principalmente amor, que acaba implicando numa porta aberta para as inúmeras armadilhas do mundo externo (Almeida & Nickel, 2010/2011).
A eventual incapacidade dos pais para promover limitações aos seus filhos e instituir a autoridade que lhes cabe também pode ser caracterizada como um agente facilitador para o aumento do consumo das crianças, à medida que estas últimas se desenvolvem psiquicamente e apreendem a realidade do mundo através do contato com as frustrações e com as limitações que lhes são impostas e que, neste caso, podem não existir, por conta da dificuldade envolta aos pais ao dizerem a palavra “não” e, consequentemente, presentearem quase que diariamente as crianças com os produtos que elas mesmas solicitam, não necessariamente por necessidade. Conforme Phillips (2000), torna-se importante e também necessário que os pais exercitem a sua capacidade de impor limitações aos seus filhos, exercendo a autoridade ao comunicar por meio da palavra “não”. Esta capacidade é vista como promotora tanto do crescimento quanto do desenvolvimento de todo o meio familiar, à medida que se constitui como um amor exigente.
O desconhecimento dos pais frente às leis regulamentadoras do país no que diz respeito à transmissão de propagandas televisivas infantis, por exemplo, e utilização da criança como próprio meio para o consumo, bem como a visualização desta criança a estes meios também pode ser considerado um aspecto que favorece o consumismo por parte da menor idade e a ascensão por parte dos pais. Sabe-se que o Brasil difere de outros países quando à legislação, permitindo o acesso aos recursos midiáticos de forma não tão moderada como deveria ser efetuado.
Um aspecto que deve ser levado em conta como um fator preocupante, considerando um desenvolvimento físico e psíquico saudáveis, atualmente, diz respeito à maior dificuldade de diferenciação entre o que é real e o que é ilusório. Além de parecer não haver desejo próprio nas crianças, mas um desejo a elas introduzido, também parece haver maiores dificuldades no que tange ao reconhecimento de conteúdos pertencentes à realidade. As crianças, atualmente, encontram-se aptas a diferenciar marcas de produtos industrializados apenas pela logomarca apresentada, contudo, não sabem nomear frutas ou verduras, por exemplo, objetos estes pertencentes à realidade da sociedade.
Outro ponto a que se deve ressaltar segue em direção à atribuição dos papeis sociais que acabam sendo apresentados e instituídos para as crianças, por vezes, de forma inadequada, através dos recursos midiáticos – expondo, desde cedo, uma imagem sexualizada das funções de ser mulher e ser homem. Um exemplo disso são os comerciais de cerveja, que colocam à mostra mulheres com corpos malhados e seminus diante de homens que as veneram. As crianças, desde muito cedo, passam, então, a construir uma imagem, muitas vezes inadequada, daquilo que devem transmitir à sociedade.
Logo, considera-se que a publicidade, de forma geral, ao objetivar sensibilizar as crianças por meio das mais diferenciadas formas de propagandas sobre roupas, calçados, brinquedos, comidas e afins, acaba reforçando o sentimento de onipotência infantil, à medida que institui que o fato de possuir o melhor também a faz ser melhor, permanecendo sempre como um ser em comparação aos demais, num ambiente de competição intensa; isto, por sua vez, pode ser considerado um modelo perverso do qual a publicidade se utiliza, a fim de obter êxito em suas ações, já que cria, inevitavelmente, uma relação de dependência entre sociedade x meios de consumo, a fim de que se possa garantir o sentimento de pertença nos grupos.

Considera-se que os estados de calma atingidos durante a fase de latência – organização específica da personalidade – são essenciais para a maturidade de qualquer criança, pois é durante este período que se adquire a maior parte da aprendizagem social. A calma alcançada nesta fase do desenvolvimento, por sua vez, é explicada pelo aumento dos mecanismos de defesa, que permite com que seja constituído o produto da maturação das funções egoicas nas crianças (ou não).
No documentário Criança, a Alma do Negócio, pode-se perceber como um primeiro aspecto que os papeis de menina e menino para as crianças, desde muito cedo, acabam sendo definidos. Devido à facilidade de acesso aos meios tecnológicos, as crianças, de forma geral, adquirem a aprendizagem dos padrões adotados pela sociedade e que nem sempre são adequados. Uma propaganda de cerveja, por exemplo, em sua maioria, expõe lindas mulheres que se apresentam seminuas, com corpos malhados, servindo aos homens que se encontram sentados na mesa de um bar. O papel da sexualidade atribuído à mulher como um “objeto” acaba sendo instituído às meninas que, desde cedo, já desejam usar salto alto, a fim de parecerem mais altas do que são ou mais velhas, enquanto que os meninos devem experimentar a cerveja e permanecerem nas rodas de amigos. Acredita-se, portanto, que a mídia torna-se um importante agente facilitador para que a latência acabe se tornando uma fase do desenvolvimento transgredida, à medida que a calma que deveria, via de regra, ser expressa nesse período, capaz de fazer com que os desejos sexuais diminuíssem em força – e que transformaria as exigências morais da sociedade em padrões de controle interno dos impulsos nas crianças – acaba cedendo lugar ao conhecimento sobre as funções de homem e mulher de forma precoce e, muitas vezes, inadequada, exacerbando os impulsos agressivos e sexuais impróprios desta fase. A mídia, nesse sentido, acaba atuando como um recurso transgressor dos mecanismos repressivos das crianças (Sarnoff, 1995).
Outro aspecto a ser destacado diz respeito ao brincar em suas diferentes formas como um modo para o processo de simbolização. De acordo com o documentário, as crianças passaram a ser seres desejantes de artefatos condizentes aos desejos dos adultos. O brincar, neste sentido, tornou a ser menosprezado para ceder espaço à compra de roupas e sapatos e ao desejo de objetos como casa e carro. Segundo Sarnoff (1995), se o período de latência permite às crianças simbolizarem os seus conflitos internos por meio do brincar, acredita-se que a ausência desta modalidade como uma forma de expressão possa estar relacionada à inabilidade do desenvolvimento cognitivo vital, no sentido de que as crianças não apresentam recursos para demonstrar, por via do entretenimento, a realidade na qual se encontram e as suas vivências cotidianas – o que as faz permanecerem demasiadamente no ilusório de um mundo o qual não pertencem; é a estrutura de latência que permite uma função de ego voltada para a realidade, modificando-se para planejar o futuro. O brincar também permite que a criança desloque e deposite a sua raiva nos objetos utilizados como uma forma de descarga dos seus impulsos agressivos. Se esta etapa, mais uma vez, encontra-se ausente nas crianças, pode-se dizer que também não haverá o desenvolvimento da capacidade à tolerância de frustrações e, novamente, as configurações de defesa que deveriam ser desenvolvidas neste período encontrar-se-ão prejudicadas.
Cabe pontuar que aos pais, muitas vezes, cabe-lhes atribuir uma parcela de responsabilidade pelo prejuízo quanto ao desenvolvimento da fase de latência dos seus filhos, à medida que realizam todos os seus desejos e encontram-se incapacitados para impor autoridade e, com ela, limitações. O “não” que as crianças deveriam ouvir dos seus pais seria pertinente, no sentido de que isso possibilitaria a elas o desenvolvimento de habilidades cognitivas e emocionais para que possam lidar com eventuais frustrações por meio do deslocamento da raiva através do brincar como uma forma simbólica de expressão lúdica, mas também para a aquisição da estabilidade comportamental (Sarnoff, 1995).
Os detrimentos causados no período de latência acabam repercutindo nos períodos subsequentes do desenvolvimento das crianças. Sarnoff (1995) afirma que a ausência de oportunidades para a simbolização por meio do brincar, por exemplo, pode oportunizar espaço a quadros de fobia infantil posteriormente, já que não pôde haver a transformação do objeto real do medo por um símbolo, possibilitando com que o próprio objeto real e desconhecido à criança permaneça fixado. Sendo assim, considera-se que quanto mais próximos à realidade os símbolos, mais probabilidade existe de que eles se tornem produtores de medo quando atraem desejos hostis subjacentes. É cabível colocar também que se anteriormente não houve oportunidades para que as crianças experimentassem as frustrações e aprendessem modos para lidar com elas, as agressões excessivas posteriores, bem como a “dificuldade em desviar as catexias da atenção dos medos internos e fantasias pessoais para o mundo exterior podem constituir presságio de atividade borderline no adulto” (Sarnoff, 1995, p. 202). De modo geral, fatores cognitivos, fisiológicos e psicológicos que eventualmente não puderam ter sido desenvolvidos de forma saudável nas fases anteriores, contribuem para as origens e épocas do aparecimento das fobias e das consequentes reações de evitação por parte da criança.
A depressão é outro sintoma que, mesmo diferente da forma de expressão nos adultos, pode vir a surgir em decorrência de falhas provindas do período de latência. As crianças que permanecem apenas no ilusório, neste sentido, a fim de não deparar-se com a realidade vigente acabam caracterizando-se por apresentarem estados depressivos, na medida em que o deparar-se com o real lhes causa angústia e sofrimento. Isto ocorre à medida que há o retirar-se para a fantasia, associado à recusa de estímulos a problemas. Novamente, o não desenvolvimento da capacidade para a tolerância de frustrações no período de latência acaba repercutindo para que as crianças se voltem ao irreal, apenas, afim de evitar deparar-se com as frustrações da realidade por não apresentarem meios para a descarga da raiva e outros sentimentos agressivos (Sarnoff, 1995). Acredita-se que a criança em estado de latência possui uma organização das defesas do ego que lida com sentimentos desconfortáveis por meio da repressão das fantasias associadas a eles. Considerando que este período do desenvolvimento, de acordo com o documentário visto, possa estar comprometido devido às demandas apresentadas pelo meio social e midiático, pode-se pensar que as crianças não apresentam maturidade psíquica e cognitiva adequada para o desenvolvimento das defesas, já que, além de não depararem-se com as frustrações, as demandas externas, provindas principalmente pela mídia, acabam provocando pressões exorbitantes às crianças, que devem permanecer atentas a tudo para também obterem tudo o que lhes é mostrado. Os estados depressivos, por menos importantes como um sintoma de psicopatologia que possam ser no período de latência, estão associados à incapacidade de tolerar as frustrações, devido à ausência do desenvolvimento de mecanismos de defesa que poderiam proporcionar o equilíbrio e as vias para uma saída frente a situações desprazerosas. Portanto, o fracasso dos mecanismos de defesa da latência liberam a depressão e a depressão está ligada de modo mais próximo ao impulso agressivo (Sarnoff, 1995).
Logo, pode-se dizer que o estado de latência é o produto de um processo ativo de organização das funções de ego, em resposta às exigências sociais. A idade de latência é um período de predominância de estruturas defensivas dinâmicas. Cabe dizer, porém, que só existirão mecanismos de defesa novos e mais maduros para uso ao lidar com as energias impulsivas se anteriormente pode haver a regressão defensiva (Sarnoff, 1995). Levando em conta o documentário visualizado, pode-se dizer que as pressões causadas pelas demandas externas à criança no que diz respeito aos modos de agir e aos papeis sociais ocupados ou instituídos a elas mesmas podem prejudicar de forma importante os mecanismos de repressão, nesse sentido, dificultando o processo de sublimação por diversos meios, já que não houve possibilidade de espaço para o fazer e o anular, para a formação de símbolos e de fantasia, para as formações reativas e as repressões. O papel da mulher como um simples objeto mostrado pela às crianças através das propagandas sexualizadas pode ser um exemplo de conduta que impede que este tipo de mecanismo seja desenvolvido de forma saudável e adequada. Neste sentido, Sarnoff (1995) afirma que

O fracasso para ingressar na latência significa uma preparação insatisfatória para o manejo de elementos do tipo identificação grupal através das ideias, planejamento futuro e memória de nível superior para conceitos abstratos. Quando esses mecanismos fracassam em desenvolver-se ou funcionar adequadamente, ocorre o comportamento impulsivo, o agir por impulso e o desafiar, a pressão irreprimida exibida contra os pais e professores e a representação sexual sob a forma de exibição, exploração sexual e contatos sexuais. Não há qualquer espécie de pára-choque para lidar-se com os impulsos. Isso está associado às frustrações da realidade. (p. 238)

É importante considerar que a organização dos mecanismos defensivos na vida adulta ocorre pelos períodos de estresse vivenciados na latência. Neste sentido, estão relacionadas as pressões parentais, sociais e internas que podem interferir na aquisição dos processos de pensamento próprios da fase na qual as crianças se encontram, bem como na organização das memórias que utilizam níveis superiores de pensamento abstrato. Sendo assim, pode-se pensar que se os pais se utilizam de meios diversos para impedir que as crianças se deparem com as frustrações da realidade, consequentemente isto repercutirá na sua forma de atuação posteriormente, na vida adulta, por meio de tendências com níveis agressivos, justamente por não haver capacidade para a tolerância de situações desagradáveis nem meios para solucioná-las (Sarnoff, 1995). Crianças cujos pais fazem todas as vontades, por meio da compra de roupas e sapatos, ou por meio do provimento financeiro também não têm oportunidade para o desenvolvimento do ego saudável, uma vez que não sabem o que significa a frustração por conta da negação – que deveria ser instituída através dos pais pela palavra não. Sarnoff (1995) afirma que “a inibição interna dos desejos agressivos (id) depende, por exemplo, da capacidade que tem a estrutura de latência de oferecer fantasias, como válvulas de segurança, através das quais permite-se que a agressão seja liberada” (p. 245).
Enfim, acredita-se que um dos papeis fundamentais da fantasia e da possibilidade do brincar nas crianças como uma forma para expressar a simbolização daquilo que é vivenciado é a elaboração do conteúdo de fantasia, dos aspectos sadomasoquistas do estágio da pré-latência. Ou seja, no momento em que as crianças ingressam desta fase do desenvolvimento, a latência, elas têm a oportunidade de dominar ou processar as fantasias existentes. Quanto aos pais, o seu comportamento diante da realidade das crianças pode impedir ou facilitar o processo do desenvolvimento das estruturas egoicas para defender-se de situações desprazerosas e frustrantes provindas da realidade. O ambiente, de forma geral, como neste caso a mídia também é um contribuinte para acelerar ou impedir esse processo. Por vezes, os pais acabam desviando as crianças da capacidade de expressar fantasia, a fim de auxiliá-las a sobrepujar uma vida imaginaria sadomasoquista no período de latência, assim como ocorre no documentário visualizado, cujos pais proporcionam tudo aquilo que a mídia expõe e que faz com que sejam implantados desejos nas crianças que não são propriamente seus. E a fantasia, que até então seria manifesta normalmente para este período e considerada a única válvula de escape que as crianças utilizariam para lidar com os impulsos agressivos, acaba permanecendo sob funcionamento inadequado ou nem desenvolvida. Por isso, é importante que se detecte e se demonstre às crianças sobre a natureza internalizada dos conflitos, para que elas mesmas sejam capazes de enxergar as maneiras pelas quais a fantasia é colocada em ação.
No que tange aos aspectos relacionados aos impulsos sexuais, pode-se dizer que estes, considerando um modelo maturativo saudável, encontram uma válvula de escape através de canais dominados pela fantasia. O brinquedo simbólico, neste sentido, refere-se à capacidade que as crianças têm para deixar que um objeto conserve a sua identidade original, enquanto representa algo mais no brinquedo. É por este motivo que as crianças apresentam a capacidade do “fingir”, por meio do faz-de-conta, já que o desenvolvimento de uma zona de pensamento e atividade interposta entre o impulso e o objeto de satisfação das necessidades permite que haja válvulas de escape físicas para estes impulsos (Sarnoff, 1995). Levando em conta o documentário visualizado, pode-se pensar que o meio social contribui para que etapas do desenvolvimento sexual também sejam ultrapassadas sem a devida maturação, à medida que só se pode abrir portas relacionadas à possibilidade de criar expectativas e se fazer a seleção quanto ao futuro caso tenha havido um espaço para a simbolização nos períodos anteriores do desenvolvimento.
A possibilidade de fantasiar por meio de recursos infantis são importantes, considerando que na formação de um símbolo, o elo entre o significante e o significado é reprimido e, por meio desta etapa, há uma mudança significativa quanto à fantasia, no sentido de poder oferecer um caminho para a gratificação dos impulsos na libido (Sarnoff, 1995). Neste sentido, se a mídia, enquanto vendedora dos mais diversos produtos até então direcionados aos adultos, passa a oferecê-los às crianças, pouco se importando com o desenvolvimento maturacional desta nas diversas modalidades, fazendo a tentativa de igualar as crianças aos adultos, logo, os períodos do ciclo vital compostos pela simbolização são inexistentes .Sarnoff (1995) afirma que

Deve-se, consequentemente, ser cuidadoso na reconstrução dos acontecimentos do inicio da infância, a partir das associações de um adulto; deve-se ter em mente, todo o tempo, as alterações que a organização da memória verbal do adolescente produz nas lembranças experienciais afetivo-motoras, do início da infância, que são reafirmadas na adolescência, quando começa a enfraquecer o poder das organizações de defesa da latência. (p. 260)

Acredita-se que a sexualidade madura é vista, inicialmente, na adolescência, como um produto da fantasia. Então, pode-se pensar que as crianças, nos períodos anteriores do desenvolvimento, que não tiveram a possibilidade de utilizar-se de recursos simbólicos como, neste sentido, o brinquedo como forma de expressão dos conteúdos tanto agressivos quanto sexuais, acabam por desenvolver fantasias fracamente sexuais quando levado em conta as necessidades do objeto amado. Os objetos de fantasias, de fato, encontram-se ligados às figuras da realidade, que podem ser melhor chamados de planejamento futuro. Se não houve, anteriormente, a possibilidade de simbolização de objetos como forma de expressão, dificilmente as crianças adquirirão a capacidade quanto a expectativas relacionadas ao futuro e os seus impulsos acabam atuando de forma exacerbada, repercutindo também nos períodos posteriores do desenvolvimento.

Referências Bibliográficas:

Almeida, E. C. S. & Nickel, D. C. (2010/2011). Saúde mental, trabalho e desenvolvimento organizacional. Programa de apoio à Iniciação Científica. PAIC.

Jobim, A. (2011). Criança a alma do negócio. Documentário disponível em http://www.youtube.com/watch?v=49UXEog2fI8.

Philips, A. (2000). Dizer não: impor limites é importante para você e seu filho. Rio de Janeiro: Editora Campus.

Sarnoff, C. A. (1995). Estratégias psicoterapêuticas nos anos de latência. Porto Alegre: Artes Médicas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Há algum tempo, questione-me sobre a finalidade da distância...
Alguns acreditam que a distância serve para deixar saudade;
Outros dizem que a distância serve para recordar momentos;
Outros, ainda, afirmam que a distância é fria, capaz de machucar;
Ou também que ela coloca o homem à margem da sua solidão.
De fato, muitos sentidos podem ser atribuídos à distância...
Mas a resposta para a minha pergunta, certo domingo, sentou-se a minha frente e solicitou dois cafés...
E, então, eu tive uma certeza...
Algumas distâncias servem para nos deixar ainda mais próximos a alguém!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Poema da noite

Já chorei vendo fotos e ouvindo musica;
Já liguei só para ouvir uma voz;
Me apaixonei por um sorriso;
Já pensei que fosse morrer de saudade;
E tive medo de perder alguém especial...
Já pulei e gritei de tanta felicidade;
Já vivi de amor e fiz muitas juras eternas...
Já abracei para proteger;
Já dei risadas quando não podia;
Já fiz amigos eternos;
Amei e fui amado;
Mas também já fui rejeitado;
Fui amado e não amei...


(Charles Chaplin)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Bom dia! Porque todo novo dia também traz uma nova oportunidade para recomeçar...