terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Trabalho e estresse podem estar relacionados?*

*Direitos autorais reservados.

- Artigo de opinião produzido como requisito parcial de avaliação para aprovação na disciplina de Leitura e Escrita na Formação Universitária


            Acredita-se que as vivências de prazer e sofrimento no trabalho muito estão relacionadas à subjetividade do trabalhador, além das condições gerais que se fazem presentes durante o exercício de sua(s) função(es). Considera-se, então, que as vivências prazerosas ou desgastantes do trabalho estão associadas à natureza do trabalho, bem como no modo de subjetivação do sujeito para conceber significado, ou não, ao seu trabalho.
            Não se pode negar que, atualmente, o trabalho tem sido um dos maiores causadores de estresse para o sujeito. O sofrimento, muitas vezes, advindo do exercício de determinada profissão, faz-se presente por meio de sentimentos de desvalorização, frustração, insatisfação, tédio, inutilidade e até mesmo ansiedade. Geralmente, os fatores que contribuem para que estas emoções surjam ao trabalhador podem estar ligados à rigidez da organização do trabalho como, por exemplo, horários curtos para descanso ou a impossibilidade de comunicação entre funcionários e chefe; a falta de significado para o trabalho, ou seja, a incapacidade do trabalhador para ver sentido no que está realizando; a falta de reconhecimento individual ou coletivo, que acaba desmotivando o trabalhador na efetivação plena de sua(s) tarefa(s) e a discrepância entre tarefa e atividade, ou seja, o sujeito é submetido a tarefas diferentes daquelas que fora inicialmente contratado.
            Se trabalho e estresse encontram-se, atualmente, diretamente interligados, em razão das condições subjetivas do sujeito, mas também das circunstâncias totais que abrangem o contexto do trabalho, torna-se necessário que o trabalhador repense sobre as vantagens e desvantagens desencadeadas pelo cenário laboral no qual se encontra inserido. É preciso refletir, então, em vivências subjetivas prazerosas que se manifestam por meio de sentimentos de satisfação, criatividade, orgulho pessoal, admiração pelo exercício da tarefa e reconhecimento advindo de sua realização. Os fatores que, geralmente, contribuem para que as vivências de prazer se façam presentes no trabalho estão ligados à liberdade, autonomia e participação do trabalhador, permitindo, assim, a flexibilidade na organização do trabalho; a possibilidade do trabalhador de utilizar-se da criatividade para novas aprendizagens e uma produtividade ativa, a fim de que possa existir, por parte do trabalhador, o sentimento de utilidade.
            Portanto, deve-se admitir que trabalho e estresse são dois conceitos relativamente próximos quando se pensa que, entre eles, há um sujeito conexo. Considerando a existência de fatores negativos intrínsecos ao trabalho e que possibilitam o surgimento de sentimentos de estresse, sugere-se que os trabalhadores possam pensar sobre os fatores positivos do emprego, capazes de promover a qualidade de vida e o bem-estar no trabalho. Além disso, o prazer provindo do exercício de determinadas tarefas favorece tanto no desenvolvimento pessoal quando profissional do trabalhador, contribuindo, desta forma, para a promoção do seu bem-estar laboral (Ferreira & Mendonça, 2012), já que, na medida em que o trabalhador usufrui da qualidade de vida no trabalho e do bem-estar provindos desse, ele tende a se mostrar mais feliz e motivado, apresentando, consequentemente, melhores condições para exercer cada tarefa proposta de forma plena.

Referências bibliográficas

Ferreira, M. C. & Mendonça, H. (2012). Saúde e bem-estar no trabalho: dimensões individuais e culturais. São Paulo: Casa do Psicólogo.