sábado, 7 de abril de 2012

A verdadeira essência!

Como os relacionamentos são fáceis... não há mais amor, o que existe hoje é a relação momentânea. Namoro, por exemplo, é coisa do passado (assim como diz uma música). Conclui-se que o ser humano, um ser movido por pulsões, quer somente satisfazer o seu desejo para aliviar a angústia de estar sozinho, assim como Freud o postulou.
Percebe-se que a teoria do desapego permanece à volta de todos. Seja por medo, por insegurança, por desconfiança ou quaisquer outras razões, o ser humano não consegue, de modo geral, manter uma relação estável, duradoura, de companheirismo e amor com o outro. Esta relação envolve compromisso e atualmente, são poucos que estão preparados e desejam assumir essa responsabilidade.
Para muitos, torna-se bem mais fácil passar de boca em boca, de corpo a corpo, sem ter a obrigação de ligar no dia seguinte para tomar um sorvete ou sequer conversar. Questiono-me então se, para estes, ainda existe sentimento. O receio de assumir um compromisso surge pelo medo de apegar-se a algo que se sabe não ser certo. Todo o relacionamento é envolto por riscos, pois ninguém sabe a respeito das circunstâncias que o dia seguinte apresentará. Contudo, é preciso ter a coragem de seguir, ir em frente, mesmo que haja erros. Melhor cair do que não avançar por medo de tropeçar.
E os anos seguem, a vida segue. Chega um momento em que a felicidade, até então individual e momentânea, busca ser compartilhada junto a alguém eternamente. Chega um momento em que se pensa em tudo o que fora realizado na época do viver de instantes e, chega-se a conclusão de que tudo e todos os que estiveram próximos não passaram de vivências passageiras. Percebe-se então o quão sozinho se ficou naquele tempo todo. Surge daí o sentimento até então inexistente; sentimento de retraimento, de ausência do outro.
Algo que não consigo compreender é o fato de que o que faz com que o homem se orgulhe de si próprio é o número de relações momentâneas, o número de pessoas pelas quais já foram passadas. Isto é ridículo, além de humilhante para ambos (opinião minha), mas que está na moda – e a moda, como se sabe, por muitos é seguida. Vê-se hoje casais que há muito ficaram juntos e uma semana após romperem, saem com outras dez pessoas diferentes (passando de boca em boca, de corpo a corpo). Certamente, se a relação não funcionou como deveria, o ato de isolar-se, lamentando-se pela perda de nada resolve. Entretanto, (eu, Franciele) não consigo entender de que modo estas pessoas que passam a agarrar a todos conseguem facilmente esquecer-se da relação antes vivida com um outro apenas. Se levarmos para o lado da psicologia, poderia dizer que o fato de trocar tantas vezes de pessoas logo após um relacionamento duradouro se deve à chamada “dissociação”, fenômeno que faz com que nossa psiquê nos leve ao afastamento de situações que nos geram sofrimento (gerado pela perda do vínculo até então estável, neste caso), para que, de longe possamos nos proteger do que a nossa consciência não pode suportar. Nada mais é do que uma defesa.
Concluindo, o desapego definitivamente está envolto à sociedade hoje. É muito mais fácil permanecer livre a ter que dar satisfações a alguém até quando “se vai ao banheiro”. Contudo, deve-se estar preparado para assumir responsabilidades deste gênero, mais cedo ou mais tarde. A partir do momento que o ser humano está disposto a ter alguém ao seu lado, este sente a necessidade de compartilhar tudo o que até então era seu. Essa é a verdadeira essência de um relacionamento duradouro, de confiança, de companheirismo e principalmente, de amor.