sábado, 31 de março de 2012

A gente se acostuma!

Dei-me conta hoje do quanto a vida não me ensinou a viver. Na verdade, poderia dizer que a vida não ensina ninguém a viver. É o próprio ser humano quem deve se adaptar a cada instante que a existência, aos poucos (ou rapidamente), o sucumbe.
Adaptei-me então a cada segundo, a cada minuto, a cada hora e acredito que continuo a me adaptar a cada dia diante das situações que me são apresentadas. Aprendi sim que podemos nos ajustar aos momentos, por mais difíceis ou torturantes que possam ser. O ser humano realmente se acostuma. O tempo assume o papel de fazer com que pensemos sobre a forma mais eficiente para nos adequarmos e sobrevivermos às condições que nos são oferecidas. Porque a vida não é fácil, embora para muitos pareça. Porque a vida nem sempre é justa, embora pareça existir um equilíbrio. Porque a vida pode ser muito triste, embora haja momentos alegres. Porque a vida é o sinônimo da existência, embora para alguns possa significar a morte. Contudo, o ser humano permanece presente a cada instante... porque ele se adapta... porque ele se molda conforme o ambiente... porque ele se acostuma!
E desde então venho a me habituar às instâncias que tomam conta de meu ser, às condições que me apresenta a vida. Adaptei-me às perdas sofridas, adaptei-me às mudanças ocorridas, adaptei-me a cada novo amanhecer, adaptei-me a todos os seres humanos, de uma forma ou de outra. E é desse modo que a vida se exibe a nós: não ensinando, mas apresentando circunstâncias para que nos acostumemos e consequentemente, para que consigamos sobreviver.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ética x Conhecimento Científico*

Primeiramente, cabe aqui dizer que a ética está relacionada às reflexões que o indivíduo faz a respeito da cultura. Compõe-se, portanto, da posição individual e do exercício reflexivo do ser humano diante da demanda da moral. O texto estudado, neste sentido, apresenta as questões éticas ligadas ao conhecimento: “A questão ética já se manifesta na própria oferta das condições para produzir novos conhecimentos, nas formas e inovações que são autorizadas, estimuladas ou reprimidas [...]” (Zilles, 2004 p. 117). Em princípio, pode-se dizer que algo se torna conhecido quando socializado. Para que o conhecimento seja socializado, deve haver dinheiro envolto. Em outras palavras, para que algo se torne conhecimento, este deve ser socializado e, para que seja socializado, é necessário ser bancado, de algum modo. Não se pode negar que o mundo, atualmente, é movido pelo capital e permanece atrelado a ele. Relacionando, então, as descobertas feitas (que se tornaram conhecimentos através da socialização) e a quantia em termos de números envolvida neste processo, torna-se possível perceber a relação destes com os interesses econômicos. Afinal, conclui-se que quem tem consigo o conhecimento, também tem consigo o poder. O homem como um todo se encontra, então, à mercê de um poderio econômico.
Nesta situação, as descobertas feitas, socializadas e conhecidas podem tornar-se um fator de preocupação. O ser humano, muitas vezes, não se utiliza da ciência com fins de interpretar o mundo, mas para transformá-lo. Daí, as questões éticas podem ser entremeadas, porque é da má aplicação do conhecimento que sérios problemas éticos surgem. Mesmo que se concorde com o fato das decisões científicas possibilitarem a produção, estas podem também levar a riscos, quando não aplicadas adequadamente. Como exemplo, pode-se lembrar da construção do avião, pelo inventor Santos Dumont, cujo objetivo criar um objeto que facilitasse a comunicação entre os continentes, mas que nas mãos dos homens, transformou-se em num utensílio utilizado na Guerra, para levar a bomba que destruiu Hiroshima e Nagasaki, duas cidades do Japão.
Assim como no exemplo citado acima, houve muitos outros acontecimentos que acabaram por sair dos objetivos iniciais da descoberta, por conta da gana por poder do homem, por vezes incontrolável. Deste modo, o próprio ser humano torna-se o culpado por se utilizar dos conhecimentos para determinados propósitos, mas que levam a fins diferentes. E o conhecimento, que se afirmava ser a moeda mais forte do século XXI, não proporcionou para a maior parte dos pesquisadores a responsabilidade que deveria crescer a cada dia, muito menos a ética baseada no serviço à vida. Contudo, ainda que se saiba que o ser humano, por diversas vezes, abusa de seu poder, o bom senso e a responsabilidade ética ainda podem existir. Deve-se admitir que foram os pesados investimentos nas pesquisas científicas que tornaram o mundo diferente e possibilitaram o bem-estar e a ocorrência de profundas mudanças.
Outro aspecto a ser lembrado é que a ciência tampouco é neutra, já que está a serviço do sistema. Esta é constantemente criada e suas descobertas são realizadas com base nas crenças, ideologias e nos meios mais convenientes que os indivíduos encontram para sustentar suas teses. Cabe ao psicólogo, então, mostrar caminhos aos que estão expostos às inovações para que não haja a dogmatização do conhecimento, ou seja, para que alguns conhecimentos não sejam tomados como verdades absolutas. O psicólogo enquanto profissional, deve ampliar o campo de atuação para as dúvidas e incertezas quanto às verdades inquestionáveis e instigar o ser humano a dar-se conta de que a ciência se faz por questionamentos, além de pensar que não se torna necessário somente concordar com o apresentado, mas que há também a possibilidade de criticar o proposto. A ciência evolui assim, reafirmando ou refutando ideias, e para que ela exista ou se faça conhecimento, é necessário sustentar as argumentações.



*Esta reflexão foi realizada com base no texto "O caráter ético do conhecimento científico", de Urbano Zilles (2004), para a disciplina de Deontologia.

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