quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O medo nos paralisa...

- Está tão escuro aqui...

- Como assim?

- Não consigo enxergar... posso tropeçar caso eu tente andar!

- Não tenha medo. Eu estou aqui com você!

- Como a escuridão é sombria. E esse silêncio que me angustia...

- Em breve a luz surgirá. Enquanto isso, podemos conversar.

- Por vezes, palavras não se fazem necessárias. Só preciso sentir que você está próximo. Isso acalmará a minha alma.

- Está tudo bem. Eu estou aqui com você!

- Tenho medo do que possa vir a acontecer...

- O que quer dizer?

- O futuro... não sei se sairei desta escuridão!

- O amanhecer trará luz. Dê tempo ao tempo; ele é o único que lhe mostrará o quanto vale a pena esperar para ver o firmamento por detrás das trevas.

- Só quero que nada mais pareça vazio...

- Esse desfiladeiro que parece estar habitando sua alma será, com o tempo, preenchido com as mais belas demonstrações de amor de uma força maior. Por favor, peço que não se afaste, tente dar alguns passos...

- Tudo bem. Minhas pernas, aos poucos, mover-se-ão. Não quero mais ficar distante...

- Então fique comigo. Eu estou aqui com você!


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O mundo encantado da psicologia!

Um dia, perguntaram-me por que escolhi a psicologia...

Pois bem...

Existe em meu ser uma vontade imensa em estudar e compreender a subjetividade humana e a complexidade do homem enquanto indivíduo e sujeito (sim, porque existe diferença quanto a estes dois termos). A psiquê humana é algo fascinante e extraordinário: é capaz de levar o ser a pensar, sentir e agir das formas mais diversificadas, incontáveis e inimagináveis. A mente é poderosa e apta a governar o organismo, por isso é um fenômeno tão instigante. Além de possuir imenso poderio, esta envolta em mistério. Escolhi a psicologia justamente para entender e, acima de tudo, para sentir a complexidade do ser humano. Por meio do conhecimento, da habilidade e compreensão dos eventos da vida, pretendo buscar junto aos que necessitam os melhores caminhos para que haja o (re)encontro do sentido da vida e, consequentemente, seja proporcionado um tratamento saudável, ao mesmo tempo eficaz, visando o autoconhecimento do ser enquanto sujeito. O meu maior desejo é explorar o iceberg.

A curiosidade matou o gato!


 
E naquele dia, Clara nunca entendera tão bem o significado do famoso ditado “A curiosidade matou o gato”.


Seu nome era Clara. Sua pele branca como a neve, seus olhos azuis cor de céu e seus longos cabelos dourados, levemente cacheados, faziam-na reluzir e destacar-se em meio a todas as outras moças do bairro dos Limoeiros. Sua simplicidade e sua meiguice completavam-na por inteiro. Ela era simplesmente diferente. Igualava-se, porém, às demais moças em um único aspecto: ela desejava ser feliz junto a alguém.

Certo dia, caminhando pela florida praça do bairro, avistara um belo rapaz. Ele estava a colher algumas flores. Decidira observá-lo. Afinal, não era todo o dia que uma cena como essa poderia ser vista. Ele parecia selecionar com muito cuidado as flores mais bonitas a serem arrancadas de seu lar. Estavam em suas mãos algumas margaridas amarelas, algumas anêmonas vermelhas e alguns cravos brancos. Depois de colhidas, o rapaz começara a caminhar em direção a Clara. Entregara-lhe as flores. De fato, ele conseguira escolher minuciosamente dentre as mais belas. Clara as aceitara, encantada com tal gesto, digno de um cavalheiro.

Muitas palavras passaram a ser ditas depois daquele dia. Clara e o belo rapaz encontravam-se diariamente na praça para conversar. Sentavam-se em um banco qualquer e juntos, eles sorriam, riam, brincavam, cantavam, divertiam-se. Pareciam ser há muito tempo conhecidos. E de conversa em conversa, apaixonaram-se. A relação tornara-se séria: ele a pedira em namoro; ela consentira. Juntos, eles pareciam realmente viver.

Os pais de Clara, porém, levavam um estilo conservador carregado às costas. Embora tolerassem e, até mesmo, suportassem o namoro da filha, gostariam, no fundo, que ela tivesse um tempo a mais para refletir sozinha sobre a vida. Sabiam, contudo, que não poderiam ordenar o coração alheio a parar de amar. Como pais, então, caber-lhes-ia somente a preocupação.

O tempo passava e com ele, algumas mudanças aconteciam. As discussões tornavam-se frequentes na casa de Clara. Todas elas envolviam o namoro com o belo rapaz. Havia alguma coisa errada naquela relação, segundos os pais. Era tudo diferente demais: costumes diferentes demais, tratamentos diferentes demais, maneiras de ser diferentes demais. Algo não se encaixava. Na verdade, os pais viam problemas demais.

Clara e o belo rapaz, de modo geral, davam-se bem. Embora divergissem em alguns aspectos da vida, sempre foram sinceros um com o outro. Ele fazia tudo para agradá-la e querê-la sempre bem. Para ela, aquilo estava bom, aquilo bastava. Ela o amava.

Os pais, entretanto, não conseguiam enxergar a relação do casal como algo positivo. Clara, por diversas vezes, tentou entender o motivo de tamanha desaprovação. Todavia, a explicação parecia complexa demais para que fosse compreendida – ou muito óbvia – para ser entendida. Utilizavam um único argumento: mesmo que tentassem incansavelmente gostar daquele rapaz, nunca conseguiriam; algo nele era demasiadamente sinistro.

Clara estava tão chateada com a constante maré de conflitos que estava havendo em sua casa, que acabava por entristecer também o seu namorado, que a via diariamente daquela maneira (mas que em nada poderia auxiliar), ao encontrarem-se na praça. As discussões ficavam piores a cada dia; a relação-família ia, aos poucos, perdendo-se, à medida que a distância ficava maior entre seus membros a cada problema que surgia.

Certo dia, Clara decidira ir à praça mais cedo, algum tempo antes do horário combinado com o seu belo rapaz. Deitara-se sob a grama para refletir sobre o rumo que a sua vida havia tomado. Foi quando ouvira um assovio. Alguém estava a lhe chamar. Era uma senhora, que logo se aproximara. A senhora estava a observar Clara há algum tempo e a vira sozinha e angustiada. Clara não a conhecia. Esta, porém, continuara a dirigir-lhe a palavra. Dissera-lhe conhecer alguém que poderia ajudar com os problemas e fazê-la parar de chorar. Sugerira, então, uma ótima cartomante, que veria tudo sobre o seu futuro. Depois de ditas tais palavras, a senhora simplesmente se retirara.

Clara, novamente sozinha, ficara a refletir sobre o que ouvira. Estava aflita e confusa com a situação. Não sabia exatamente o que fazer, porém, no estado em que se encontrava, decidira seguir a sugestão daquela misteriosa senhora. Não havia nada a perder, afinal. Fora até a sua casa, contara à sua mãe o que havia acontecido na praça. A mãe, que estava muito preocupada com a relação entre sua filha e aquele rapaz, e tampouco sabia o que poderia fazer, logo concordara em levá-la à cartomante para uma visita. A mãe vira aquilo como uma oportunidade para descobrir o que se passava com o rapaz; Clara vira aquilo como uma possibilidade de compreender a preocupação de seus pais, para que tudo voltasse a ser como antes o era.

A moça, então, encontrara-se com o belo rapaz, ao voltar à praça. Preferira nada contar, ao menos não naquele momento. Dissera também que na tarde seguinte não poderia comparecer ao encontro, pois teria de ajudar à sua mãe nos afazeres domésticos. O jovem rapaz, não vendo problemas, consentira com a moça.

Aquela noite que antecedia a visita à cartomante, Clara passara em claro. Estava ansiosa. Suava, porque estava nervosa. Queria desvendar logo o mistério que estava envolto àquela situação tão fria que fazia com que seus pais reclamassem tanto. Embora estivesse impaciente para visitá-la, sempre fora um tanto receosa quanto a questões relacionadas ao futuro. O medo sempre a mantivera distante das forças espirituais.

Amanhecera quando Clara, finalmente, adormecera. Sua mãe a deixara dormir pela manhã e, na primeira hora da tarde, chamara-lhe, alegando estar na hora de partirem em direção à cartomante. Em pouco tempo, mãe e filha chegaram ao local e foram recebidas pela cartomante. Clara espantara-se. A cartomante era ninguém mais, ninguém menos que a senhora que lhe dirigira a palavra no dia anterior, na praça.

Ainda um tanto confusa, sentara-se diante daquela senhora, que começara a embaralhar as cartas. Depois de separá-las devidamente, as revelações começaram a vir à tona. A cartomante dissera, primeiramente, que Clara era muitíssimo invejada pelas demais moças do bairro dos Limoeiros, em razão dos belos vestidos de seda feitos por sua mãe, que combinavam com os cabelos dourados e com os olhos cor de céu. De fato, sua beleza e suas roupas faziam-na destacar-se dentre a multidão.

A segunda revelação, porém, fizera com que Clara caísse aos prantos. Ao virar uma das cartas, aquela senhora dissera-lhe que o rapaz que Clara namorava não era bom o bastante para ela. Naquele instante, a moça sentira um aperto tão forte no peito, que parecia estar sufocando-a por dentro. A senhora, então, prosseguira a sua consulta: afirmara que aquele rapaz escondia algo grandioso demais e que, se continuassem juntos, Clara seria muito infeliz. O passado daquele homem era sujo, segundo a cartomante. Como se não bastasse, alegou ainda que depois dele, mais dois amores apareceriam em sua vida. Contudo, aquele, de fato, não poderia ser o rapaz ideal para ela.

Durante a consulta, Clara não dissera uma palavra sequer. Não conseguia distinguir se aquilo tudo pelo qual estava passando era apenas um pesadelo o qual a faria despertar em seguida, ou se ela estava mesmo vivenciando aquela cena. Ela só queria sair de lá. Ela só queria voltar para casa. O que conseguia fazer era somente chorar.

E naquele dia, Clara nunca entendera tão bem o significado do famoso ditado “A curiosidade matou o gato”. Ela acabara de morrer por dentro. Seu coração estava despedaçado, assim como o é uma rosa, quando despetalada. Culpava-se pela curiosidade, que só havia lhe prejudicado. Não deveria ter procurado aquela cartomante. Não deveria ter caído na tentação de saber algo que, no fundo, só Deus sabe. Agora, Clara estava lá sem saber o que fazer, sem saber o que pensar, sem saber de mais nada além de chorar. E o pior disso é que ela tinha que levar tal segredo com ela. Afinal, o que seria da sua relação com o rapaz, caso ele soubesse o que havia se passado?

A ambivalência tomara conta dos sentimentos de Clara. Como ela poderia abraçar, beijar, simplesmente ficar próxima a alguém que não pertenceria a ela no futuro? Ao mesmo tempo em que amava o belo rapaz, não sabia que decisão deveria tomar, qual o caminho seria o correto a seguir.

De fato, “a curiosidade matou o gato”, assim como matara Clara, fazendo-a sofrer imensamente. Não havia nada mais, além de um completo vazio em seu coração. E ninguém podia ajudá-la a melhorar. A partir daí, o rapaz a sentia um tanto distante, um tanto calada. Via tristeza profunda em seu olhar. Ela dizia que em nada ele poderia lhe ajudar. Ele, simplesmente, teria de respeitar o seu silêncio, a sua dor.

Os dias seguiram em frente. Clara, por sua vez, dera-se conta de que o tempo não parara só porque ela estava destruída. Ela percebera que, assim como os dias passavam, um após o outro, ela também deveria seguir adiante, deveria atravessar aquele muro de pedras que havia sido posto na estrada de sua vida. Todos os sentimentos ruins teriam de passar em breve. Afinal, tudo na vida passa, um dia.

Foi então que, num belo dia, Clara fora novamente à praça para refletir. Ela estava a caminhar entre as flores quando alguém que estava a observá-la a chamara para sentar-se num banco qualquer. Era um homem. Um homem muito vivido. Clara não precisara dizer uma palavra para que aquele senhor começasse a falar. Dissera-lhe que a vida tem desses tropeços, às vezes. Alguns deles não são suficientes para nos fazer cair. Outros, porém, fazem com que fiquemos feridos, tombados ao chão. A vida não é senão um desafio, testa-nos até o nosso limite, só para confirmar se somos capazes de ultrapassar o marco das nossas frustrações.

Aquele senhor parecia ter tanta experiência. Esbanjava bondade e ternura. Não sabia o motivo que angustiava Clara, porém, naquele dia, ele fora o remédio para a ferida da moça. Dissera-lhe que a tristeza faz parte dos momentos de alegria, assim como a morte faz parte da vida. A dor não é necessária, mas, às vezes, faz-se presente para que possamos crescer, evoluir. Aquele senhor, então, olhara-a profundamente e dissera-lhe que Deus é o único que tem planos para cada um de nós. É Ele quem sabe do nosso passado, presente e futuro, ninguém mais. Ele sabe o que é bom e é o único que jamais nos abandonará nos momentos mais difíceis da nossa jornada. Aquele senhor dissera que Clara deveria ter fé. 

Ela o observava enquanto ele falava e, quando terminara, ela o agradecera da forma mais pura e sincera. Dera-lhe também um abraço apertado. Naquele instante, a moça sentira uma energia muito forte, algo sublime, algo que transcendeu todas as palavras que ela poderia ter mencionado em agradecimento. Aquele senhor, por fim, disse que Deus não permitiria nunca que Clara fosse infeliz. Deus a ajudaria a não mais chorar.

Foi quando despertara. Clara estava deitada sob a grama, do mesmo modo como naquele dia em que a cartomante a encontrara. Olhara, então, para todos os lados. Não vira nada, nem ninguém, além das flores que lhe faziam companhia naquela praça. Percebera que tudo não passara de um sonho. Um maravilhoso e doce sonho. Mal sabia ela que aquele sonho fora tão real, que, com o tempo, ajudaria a cicatrizar seu sofrimento, sua dor.

E desde então, Clara recupera a sua alma, a sua mente. Desde então, Clara passa o remédio da cicatrização na ferida que lhe fora aberta naquele dia, devido à tentação em descobrir o futuro. Quanto a sua relação: ela e o seu rapaz continuam a namorar. Ela o observa enquanto ele fala, sorri, canta; lembra do que aquela cartomante um dia lhe dissera, mas logo pensa em coisas boas, coisas que a fazem sorri novamente. Eles estão bem. Ele parece amá-la. Ela parece amá-lo também. Clara passa a refletir mais no que fala, pensa mais antes de discutir por coisa qualquer, tenta não dar tanta importância às coisas que antes considerava relevantes. Agora, ela medita mais e tem sempre em mente que o que terá que ser, será e tudo o que tiver que acontecer, acontecerá. Afinal, Deus tem planos para cada ser humano. Sem mais.

Ah, ela não largara de seu sonho: Clara ainda deseja ser feliz junto a alguém.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A gente não esquece...

Uma vez ouvi alguém dizer “A gente perdoa, mas não esquece!”.

Refletindo um pouco sobre este ditado, pergunto-me: o que significa perdoar? Certamente, cada um atribuirá concepções diversas a esta palavra, cujo sentido soa-me tão forte e difícil para se cumprir. Vejo o verbo “perdoar” como algo quase que impossível, sendo somente Um Ser capaz de fazê-lo – Aquele Mesmo Ser capaz de amar verdadeiramente.
Perdoar algo ou alguém soa como quase que impossível, porque, na minha concepção, esta palavra significa, primeiramente, esquecer. Considerando então o sentido de perdoar semelhante a esquecer, acredito que ninguém nunca tenha perdoado alguém verdadeiramente.

Pois...
Alguém que perdoa, esquece uma traição...
Alguém que perdoa, esquece que fora roubado por um irmão...
Alguém que perdoa, esquece ter sido enganado pelo melhor amigo...
Alguém que perdoa, esquece todos os maus atos alheios antes cometidos...
Alguém que perdoa, esquece que um dia fora humilhado por quem mais amou...
Alguém que perdoa, esquece tudo de ruim que já passou...
Alguém que perdoa, esquece que a melhor mentira lhe fora um dia contada...
Alguém que perdoa, esquece que a pior verdade lhe fora um dia velada...

Deste modo, digo mais uma vez que perdoar constitui-se em algo quase que impossível. E digo mais: perdoar é uma virtude, pois a força e o grau de dificuldade que estão envoltos neste ato faz com que perdoar seja dom de poucos, muito poucos.
O ser humano não costuma perdoar, porque dói: perdoar fere o coração, fere a alma, fere o ego. Perdoar significa esquecer o mal que nos foi feito, significa suportar a dor que nos foi causada e ainda assim tolerar a frustração e a angústia sem mais ter que tocar no assunto. Por isso, mais uma vez, perdoar é uma virtude. Só Um Ser suportou tanta dor, tanto sofrimento, para perdoar todos aqueles que ainda assim duvidaram do Seu poder. Só Um Ser foi capaz de esquecer tudo o que Lhe foi feito e, como se nada fosse, só Ele foi capaz de dar mais uma chance a cada um para que vivessem de uma maneira mais livre e pura. Só um Ser perdoou o Seu inimigo. Como pode?

Perdoar! Gostar-me-ia ter o dom de poder perdoar! Só não tenho o dom de conseguir esquecer!

Os dois Q's!

O que faz com que muitos pensem ter incontáveis amigos fazendo parte da sua história de vida? O que faz com que estes muitos pensem que todos estarão ao lado para ajudar nas circunstâncias mais desesperadoras?
O fato de crer que se tem muitos amigos pode tornar-se algo ilusório e, por vezes, prejudicial, caso a realidade a qual se vive não for devidamente levada em conta.
Aqueles muitos que dizem ter uma grande quantia de amigos, podem, na verdade, estar levando em conta o número de indivíduos conhecidos, os quais mantém um tipo de vínculo qualquer. Vivem numa ilusão aqueles que acreditam que todos os “amigos” antes adicionados no Orkut, no MSN e atualmente, no Facebook, podem ser considerados, de fato, amigos. Pensamentos deste tipo tornam-se prejudiciais no momento em que a necessidade de ter estas pessoas mais próximas torna-se prioridade e então se vê o verdadeiro número de indivíduos que aparecem para auxiliar.
Portanto, acredito que muitos devam começar a pensar que o que vale mais não é a quantidade de “amigos” que se tem, mas sim a qualidade dos poucos que apresentam-se como autênticos companheiros de jornada. É aquela história dos dois Q's que todos conhecem - quantidade x qualidade. Há tanta gente legal por aí, quem sabe até procurando por um amigo leal também. O que está havendo é uma confusão: confunde-se, hoje, a palavra “conhecidos” com “amigos”.
Talvez seja hora de observar melhor todos os que passam ou permanecem ao lado. É necessário exercitar a mente para que se saiba diferenciar os meros conhecidos, daqueles que realmente valem a pena para que seja feito algum investimento. É hora de saber que aqueles que mais bajulam são os que menos merecem a atenção alheia; e que os verdadeiros seres humanos não necessitam, a todo o instante, falar o quanto você é legal para serem bons camaradas. Os bons amigos, pelo contrário, são aqueles que você sabe que são genuínos pelo simples fato de mostrarem o que realmente têm; de tratarem você normalmente, sem precisar elogiá-lo a cada minuto.
Penso que não é o número de amigos que irá dizer o quão querido um ser humano pode ser; a benção está justamente em ter aquelas poucas criaturas ao lado, embora sejam todas elas garantidas em quaisquer circunstancias da vida. A verdadeira amizade está naqueles que sabem que têm amigos, mesmo que o contato não seja constante. A verdadeira amizade está naqueles que sabem ser tão sinceros quando não gostam de algo, a ponto de falar diretamente a você; e não naqueles que vivem na adulação. Chego à conclusão, afinal, de que ter poucos amigos sim é uma benção.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Até que a morte os separe!

Hoje, ao contemplar fotos do casamento de uma grande amiga, cujo evento não pude estar presente, dei-me conta de algo espetacularmente maravilhoso – não sei dizer se o “espetacularmente maravilhoso” existe, porém não encontro sequer uma palavra que seja suficiente para descrever a grandiosidade do sentimento que permeou em meu ser ao ver tais fotos.
Dei-me conta, enfim, que em meio a um mundo repleto de costumes diferentes como, por exemplo, relacionamentos diferentes – traições diferentes, mentiras diferentes, palavrões diferentes e tratamentos, como um todo, diferentes – ainda existem seres que encontram a sua metade da laranja e demonstram os mais puros e verdadeiros sentimentos, que só se tornam imagináveis àqueles que também os conseguem demonstrar.
Apreciando a beleza do amor e a sua fragilidade, pus-me a pensar no MEU amor. Eu, que ao amar, amo de forma intensa; ao agraciar aquelas maravilhosas fotos, desejei também que a felicidade batesse à minha porta naquele momento tão especial e importante da vida, pelo qual minha amiga passou. É tão bom quando vemos alguém de quem gostamos feliz de verdade, que acabamos por desejar o mesmo para o nosso viver. Saibam que, mesmo que haja muitos seres humanos perdidos, ainda há pessoas puras e sinceras em seus sentimentos que merecem ser felizes de verdade.
E quanto a mim, eu ainda espero que um momento tão magnífico como aquele pelo qual minha amiga atravessou também faça parte da minha história um dia. Tenho esperança de que os meus sentimentos e os sentimentos de quem estará ao meu lado, compartilhando daquele momento, sejam os mais transparentes e cristalinos, para que juntos possamos mostrar aos demais que o amor verdadeiro ainda é uma benção de poucos, assim como a minha amiga o demonstrou.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Prioridades!

Leva algum tempo até percebermos que a vida do homem é composta por momentos, e que estes momentos são constituídos por prioridades.
Muitas vezes, nos lembramos do que antes fazíamos sozinhos ou com alguém e que, no momento, já não há mais tempo para que seja repetido. Muitas vezes, pensamos que aqueles que antes estiveram conosco, com o tempo, acabaram por nos abandonar, pelo simples fato do contato ter sido interrompido por algum tempo. Muitas vezes, também, pensamos que alguns detalhes da vida foram perdidos por achar que algo fora erroneamente executado por nós mesmos ou pelo outro.
Como antes escrito, a vida constitui-se pelos momentos que cada ser humano coloca como primazia durante o percurso de sua existência.
Por vezes, é mais fácil pensarmos que muitos simplesmente nos abandonaram; é mais fácil pensarmos que não há mais tempo para nos divertirmos como antes o fazíamos. Embora seja mais fácil reprimir as verdadeiras razões que nos fazem deixar alguns detalhes da vida pelo caminho, acredito que devemos ampliar o nosso olhar para além do “não há mais tempo” ou do abandono.
Olhando, então, para além do horizonte, poderemos perceber que todos terão, um dia, algumas prioridades na vida. Esta vida, por sua vez, organiza-se por etapas, e estas exigem algumas mudanças, às vezes. De qualquer modo, não são somente os outros que colocam alguns eventos como prioridades, mas nós também o fazemos em determinados momentos. Por isso, lembremo-nos que aqueles cuja confiança e amizade conquistamos, jamais nos abandonarão, mesmo que permaneçam por algum tempo sem manter contato. Lembremo-nos, também, que nunca há falta de tempo para repetirmos a dose de divertimento, mas há a organização do tempo, que permite com que façamos de tudo um pouco, todos os dias.
O que devemos sempre levar conosco é o pensamento de que todos nós, algum dia, teremos que colocar alguns eventos do nosso viver como prioridades. Isto será inevitável. Contudo, sempre haverá um tempo para fazermos o que gostamos com quem gostamos e o que realmente queremos que seja feito com nós e por nós.