sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mudanças...

O simples fato de existir nos coloca, por diversas vezes, frente a situações as quais nos fazem passar por mudanças. A mudança, por sua vez, constitui-se como algo saudável, porque nos permite sair da demência e estagnação diante dos eventos da vida.
Se pararmos para refletir por um instante a respeito da existência humana, contemplaremos o ciclo da vida como um conjunto de pequenas mudanças, que, quando somadas, compõem a experiência, o amadurecimento do ser. O ato de atravessar fases ou etapas durante todo o percurso é o que faz com que a vida seja formada por metamorfoses.
A transformação constitui-se como algo saudável e benéfico no momento em que nos instiga a procurar alternativas que nos levem ao crescimento pessoal, sobretudo. Deste modo, aquilo que apresenta força a ponto de nos motivar a mudar para melhor, acaba por ser favorável e vantajoso para a psiquê.
Acredito que as relações – de qualquer tipo ou espécie – provavelmente sejam as mais afetadas quando relacionadas ao tema mudança. Se pararmos para pensar, devemos redefinir o nosso modo de ser e de agir a todo o instante, caso quisermos manter uma boa relação com os demais.  Deste modo, não basta apenas investirmos em demasiado numa relação apenas inicialmente, mas é necessário que diversifiquemos constantemente as nossas estratégias de conquista. Assim, aquele alguém que sentimos um carinho todo especial – seja pai, mãe, irmão, namorado, amigo – sentir-se-á sempre desejado e integrado no nosso ciclo de vida.
Contudo, ninguém nunca disse que mudar seria fácil. Por vezes, a mudança gera sofrimento. Este, contudo, faz-se necessário para que amadureçamos dignamente. A mudança torna-se, muitas vezes, tão complicada, porque exige que o homem se esforce para que haja a transformação. Deve haver, portanto, algo maior, uma força superior – à escolha do sujeito – capaz de sustentar a motivação para que, assim, o ser humano mude e sua transformação seja sempre para melhor.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O mais!

Pensei hoje em todos aqueles que, a cada novo dia, ajudam a compor a história da minha vida. Pensei nos meus familiares, pensei nos meus amigos, pensei em todas as pessoas que considero especiais e que, de uma maneira ou outra, acompanham-me durante anos. Pensei mais... pensei no que poderia eu dizer a todas estas criaturas que, certamente, fazem a diferença na jornada do meu existir.
Pensando e pensando... pensei em desejar que a palavra mais fosse adicionada ao decorrer do desenvolvimento de cada um, para este novo ano que, há pouco, desabrochou.
Deste modo, para todos os que constroem o enredo da minha existência, desejo que 2012 só tenha mais: mais compreensão, para que os dois lados de uma só moeda possam ser devidamente considerados; mais verdade, para que a confiança possa voltar a prevalecer nas relações; mais amor, para que todos possam voltar a praticar o apego; mais diversão, para que a monotonia não tome conta da psiquê; mais amizade, para que todos sintam ser importantes para alguém; mais paciência, para que a paz e a tranqüilidade voltem a reinar no universo; mais jovialidade, para que a criança interior que cada um guardou no porão mais escuro da vida ressurja e cintile a mente com a luz mais reluzente.
Meus desejos não terminam aí. Desejo mais! Desejo todas as possíveis gostosuras capazes de adocicar a vida em sua totalidade. Desejo mais algodão-doce, mais maçã-do-amor, mais balas soft, mais pirulitos do kiko, mais merengues, mais sorvete seco, mais jujubas, mais chicletes mini, mais maria-mole. Desejo também todas as coisas mais genuínas do mundo, para que a beleza da natureza transforme os dias nas mais fenomenais e divertidas experiências: desejo que se corra mais nas poças de água formadas pela chuva de verão, desejo mais arco-íris, desejo mais sol, mas também desejo que os dias chuvosos se revelem, para que reguem as mais belas flores. Desejo as mais verdadeiras brincadeiras, para que a diversão tome conta da vida de cada ser, impedindo que a solidão bata à porta da existência e possibilitando a coletividade humana: desejo mais roda-cotia, mais escravos-de-Jó, mais amarelinha, mais pião, mais passa-anel, mais pula corda, mais peteca, mais cabra-cega, mais batata-quente. 
Enfim, a todos aqueles que se transpuseram entremeio às veredas da minha biografia, o meu desejo se resume ao mais. Em outras palavras, desejo que em 2012 se viva mais! A estes o meu agradecimento e os meus votos de mais e mais para 2012.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O nada!

Quantas vezes você já ouviu alguém dizendo: “Não fiz nada o dia inteiro!”? Eu, por diversas vezes, ouvi e inclusive mencionei esta frase.
Sentada ao sofá, pensei sobre o que poderia eu escrever nesta tarde. Decidi, então, colocar algumas ideias a respeito da palavra nada. Surgiu-me, daí, uma dúvida: o que é o “não fazer nada”? Muito se ouve falar, inclusive muito é dito. Contudo, me pergunto se aqueles que falam ou ouvem sabem qual o significado desta oração. Com o auxílio do dicionário, encontrei que esta palavra se refere à coisa nenhuma, ao que não existe. Refletindo um pouco a respeito dos possíveis sentidos que poderiam ser atribuídos a estas palavras (ao não, ao fazer e ao nada), cheguei à conclusão de que não se pode não fazer nada. Na realidade, o “não fazer nada” contitui-se numa possibilidade de poder fazer tudo. Se nada significa algo inexistente, fazer mínimas coisas já se constitui em fazer algo.
Deduzi, então, que muitos atribuem variadas ações ao nada, como, por exemplo, dormir, assistir televisão ou ler um livro. Entretanto, como podem não fazer nada se, na verdade, estão fazendo algo? Não fazer nada, desta forma, constitui-se num equívoco, pois o ser humano sempre terá algo a fazer, por menor que possa ser. O que, porventura, poderá variar será o número de tarefas a se ter num dia. Todavia, mesmo que o amanhã não nasça repleto de ofícios, haverá sempre algo a ser feito. Pensemos que o simples fato de respirar já é algo a se fazer, porque se parássemos de fazê-lo por um longo período, certamente morreríamos. A possibilidade de não haver nada para se fazer pode, talvez, apresentar-se no momento da morte. Contudo, nem isto pode ser confirmado, já que diferentes religiões pregam a vida após a morte – o que se pode presumir que o ser humano deva ter algo a fazer do outro lado também.
Enfim, não pretendo ater-me aos detalhes mais minuciosos, apenas refletir um pouco a respeito do nada, que, na verdade, compõe-se de uma totalidade. Afinal, não se pode não fazer nada, porque, mesmo que sem perceber, estaremos fazendo algo, por mais simples que possa parecer. O fazer algo já apresenta existência. O nada, por mais nada que possa parecer, é algo. E então o ser humano – mais uma vez – errou.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A maravilhosa amizade!

Uma singela homenagem àqueles que considero amigos autênticos. Agradeço por permanecerem ao meu lado desde então. Nem mesmo a distância consegue afastar a verdadeira amizade.


" Quando Lhe perguntaram: 'O que é a amizade?' Ele respondeu: ' É uma alma que habita dois corpos, um coração que palpita em duas almas.' Na amizade, vemos só os defeitos que podem ferir o nosso amigo. No amor, damos importância aos defeitos que nos ferem. Não existe deserto comparável ao de viver sem amigos: a amizade multiplica os bens e reparte os males; é o único remédio contra a sorte adversa e um desabafo da alma. A amizade é maravilhosa porque é livre: não espera nada, dá tudo e a encontramos sem procurá-la."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Completo vazio!


Você sabe o que significa solidão? Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra solidão, por definição, significa lugar solitário, despovoado; retiro; estado do que está só; isolamento. Levando em conta os significados atribuídos a esta palavra, pergunto-me se, atualmente, há sequer uma pessoa que não se encontre em retraimento. Certamente, dizer que todos os seres humanos estão sós é um equívoco. Contudo, devo admitir que são poucos os que conseguem preencher uma mão ao fazer a contagem dos companheiros garantidos durante o percurso da vida. Não é à toa que, presentemente, diz-se que a amizade verdadeira é uma virtude. Muitos são aqueles que se aproximam uns dos outros por medo da solidão. E então surge o ditado “antes mal acompanhado do que só” – bem sei que o ditado original seria ao contrário. Entretanto, nesta época de incontáveis amizades, nada mais justo que este ditado seja considerado da forma acima escrita. O medo de ficar sem ninguém ao lado, por sua vez, faz com que aqueles que foram um dia considerados os maiores inimigos se tornem amigos para sempre. Parece piada.
Lembro-me, então, daquele primeiro texto que fiz em homenagem aos meus queridos amigos, na parte que falo sobre os amigos passatempo. Estes entram em cena neste momento: permanecem ao lado do primeiro indivíduo, porque os outros não estão disponíveis no momento. Vejo algumas fotos de pessoas antes consideradas amigas (juntamente com as antes odiadas, é claro) e penso: “Quanta cara de pau em conviver com quem até então fora desprezado”. Só tenho a rir. Pessoas vazias tendem a se atracar com o(a) primeiro(a) que lhes aparece à frente, tornando-se, logo em seguida, melhores amigos. Relembrando a solidão, cujo significado encontra-se no parágrafo acima, penso que de nada vale estarmos rodeados de pessoas que se dizem amigas, se ao final estamos em completo isolamento – porque se pode enganar aos demais, mas não se pode enganar a própria consciência ao mostrar a grandiosa quantidade de amigos que se “tem”. Estes então, que se dizem repletos de amigos, na verdade tentam enganar a si mesmos (sem sucesso, obviamente, porque a consciência prevalece), permanecendo solitários, mesmo que fartos de pessoas ao lado. E eu me divirto, porque “morro e não vejo tudo” – alguém disse esta frase.
Depois disto, acredito que seja melhor eu conservar aqueles pouquíssimos amigos (não tenho vergonha em admitir que são poucos mesmo) que mal completam uma mão, mas que tenho certeza que sempre chegarão até mim para dizer qualquer coisa. Agradeço aos meus amigos, então, principalmente pela sinceridade – que conduz à verdadeira amizade, que é uma virtude. E aos que se dizem amigos de todos, que querem se reunir e festejar com todos, também o meu agradecimento. Estes últimos fazem com que eu me divirta à beça a cada dia, colocando fotos (“todo mundo junto e reunido” – alguém também disse isso) nas redes sociais e, principalmente dizendo um “eu te amo” de alto e bom tom, com muito gosto, sem dúvidas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

As duas forças da psiquê!

* Nome fictício.

Todos sabem que, assim como muitas pessoas entram em suas vidas (e nela permanecem), muitas delas também vão saindo. O mesmo me ocorreu por diversas vezes. Devo admitir, contudo, que algumas entradas e algumas saídas se tornaram mais marcantes ao decorrer de minha caminhada.
E assim começa a minha história: tenho muitas pessoas por conhecidas. Dentre elas, apareceu-me alguém diferente. Fulana*. Chegava aos poucos. Balbuciava um “oi” aqui, outro lá – quase sempre sem vontade. Por vezes trocava algumas palavras com o grupo o qual eu estava inserida. Enfim, aproveitou-se de um momento de fragilidade pelo qual eu estava passando na época e aproximou-se sem pedir licença.
Naquele tempo muito ouvi dos demais para que tomasse cuidado. Era notável o desgosto de todos ao tê-la por perto. Diziam-me que sentia inveja, que sentia raiva de todos, que não gostava de nada, nem de ninguém. Eu, ao contrário dos demais, decidi dar uma chance para que ela pudesse demonstrar o seu melhor – se é que tivesse um melhor. Permiti que ela permanecesse como mais uma das colegas as quais me dou bem (mesmo que tenha aparecido sem pedir um espaço), assim como permito a qualquer outro que queira tentar uma amizade.
Algum tempo se passou até que Fulana apresentasse suas garras. Falou-me de tudo e de todos. Mentia sobre tudo e sobre todos. Criticava a todos a tudo o que avistava. Além disso, fingia ser alguém que não o era – deixando, algumas vezes, transparecer tal fato.
Eu, estudante de psicologia, desconfiada de algumas situações as quais me eram expostas, decidi conversar com alguém externo ao caso, também estudante de psicologia, a fim de ampliar algumas ideias. Chegou-se à conclusão de que havia sim algo de errado. Depois de muito discutir, um possível diagnóstico para aquela pessoa diferente: perversão com traços psicóticos. Em outras palavras (sintetizando muuuuuito, é claro), alguém que sabe da existência da lei e de suas regras, porém as burla sem que ninguém tome conhecimento disto; adicionando também a falta de senso de realidade (basicamente, alguém que não apresenta “desconfiômetro” diante de situações diversas).
Refletindo um pouco a respeito de tudo o que me ocorrera durante o período de um ano (sim, algumas coisas levam tempo até que percebamos que algo não está certo ou que não está bom), encontrei uma possível explicação para o também possível diagnóstico feito para a pessoa em questão. Fulana é alguém sozinha ao extremo. Sua solidão é resultado dos assuntos sem conteúdo que apresenta (certamente, ninguém gosta de ter ao lado alguém que despreze a todos, a todo o instante). Não se aproxima de ninguém, alegando ninguém a querer por perto, quando, na verdade, é a sua falta de humildade que faz com que as pessoas se afastem de si. O orgulho, por sua vez, tende a ser fortalecido, já que, assim, todos continuam a se afastar. Desta forma, Fulana permanece sozinha sempre. Cabe dizer que sua mania de vangloriar-se de algumas situações a faz sentir-se superior, acabando por inferiorizar ao restante que se encontra próximo a ela. Esta mania, por sua vez, a faz pensar que apresenta demasiado conhecimento sobre tudo, por imaginar ser super inteligente - o que possibilita o desaparecimento da humildade.
No momento em que lhe foi dada a oportunidade de melhorar, esta a desperdiçou ao desprezar até mesmo Deus, que nada tinha a ver com a história. Portanto, os amigos que ela pensou um dia ter conquistado, só confirmaram o que os demais que assistiam ao longe alertavam. Eu, da mesma forma, ao perceber o tamanho da enrascada a qual havia me envolvido, tratei logo de afastar-me.
Na psicologia, aprendi que o ser humano é movido pela pulsão de vida e pela pulsão de morte e, que estas duas forças devem manter-se equilibradas para que se viva de forma saudável. No momento em que uma força posiciona-se acima da outra, algum sintoma há de aparecer. Assim, percebendo que a minha pulsão de morte tornava-se alterada, querendo sobressair-se à pulsão de vida, decidi afastar-me daquilo que estava me fazendo mal. Portanto, deixando de lado aquilo que um dia pensei ser saudável, aos poucos, senti que as duas forças da minha psiquê estavam sendo reequilibradas, permitindo que a pulsão de vida fizesse parte, mais uma vez, do meu ser. Certamente, devemos nos afastar de tudo o que se torna uma pilsão de morte para nós. Só assim podemos viver de forma livre, alegre e saudável.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A pureza do ser!

 
Hoje, parei para refletir no quão pura e inocente pode ser uma criança. De modo geral, a inocência e a pureza, assim como outros valores antes considerados essenciais à existência humana, tornaram-se, para muitos, fragmentos perdidos pelo caminho. Não deixo de concordar com Rousseau, quando este diz que o homem nasce puro, mas a sociedade o corrompe. A criança, da mesma forma, um ser inquestionavelmente indefeso, inocente e puro em sua essência, surge ao mundo sem ter a mínima ideia dos desafios os quais está exposto – o primeiro deles lhe é apresentado de imediato: o desafio de aprender a respirar sem o auxílio da figura protetora. A partir daí, já lhe é posto à vista um mundo repleto de ignorância, falsidade, um mundo repleto de maldade. Ou seja, os homens acabam por corromper-se uns aos outros, muitas vezes sem mesmo perceber-se como facilitadores deste evento. É lamentável ter de admitir que muitos valores encontram-se praticamente em extinção, sendo virtude de poucos.
Penso, também no quão sincera pode ser uma criança: não há medo em expor a sua tristeza frente aos pedidos não atendidos, bem como há transparência ao expressar a sua alegria; é espontânea nos momentos de vergonha ou timidez e o seu riso... ah, ninguém nunca conseguirá compreender profundamente o significado do riso de uma criança. A criança é assim, o amor feito visível (Friedrich Novalis). O fato de ser criança faz com que todos aqueles valores essenciais à existência humana que, porventura, um dia foram guardados nos porões mais obscuros da vida possam ser retirados e revividos; é daí que vem a maturidade. Segundo Friedrich Nietzsche, o homem chega à sua maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira. Quem sabe, então o segredo para se viver bem possa aparecer a partir do momento que começarmos a exercitar a nossa “criança interior”.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O que levo para a vida...


A cada dia que nasce sigo aprendendo novas coisas sobre a vida. Alguns pensam que sabem o que é a vida e no que ela se compõe, quando, na verdade, pensam que, apenas o fato de existir consiste na arte de viver. Hoje, através da experiência adquirida ao aprender de que modo se deve viver a vida, compreendo que ela não precisa ser composta apenas por coisas boas para que faça algum sentido para mim. O que mais aprendi é que um dia todos se machucarão e chorarão, mas que, independente disso, cada dia é um novo dia, e a vida por si só é passageira, por isso, nada é eterno. Aprendi, com isso, que é através da adversidade que tomamos força para seguir, crescer e amadurecer. As dificuldades, muitas vezes, trazem consigo oportunidades para buscar algo novo, melhor do que aquilo que durante anos parecia ser a única opção. Aprendi que alguns fatos que podem nos deixar tristes hoje não são necessariamente ruins, porque, afinal, fazem com que saiamos à procura de novas experiências, à procura do nosso melhor. De qualquer maneira, a vida não precisa ser composta essencialmente por dias ensolarados, mas os dias mais acinzentados ajudam a sair da alienação e, consequentemente avançar e procurar outras alternativas. Esta mudança torna-se saudável na medida em que nos faz evoluir como ser humano num sentido mais amplo.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Algo foi perdido!

Há algo neste mundo, que por maior valor que possa ter, fora deixado de lado com o passar do tempo, permanecendo escondido por aqueles que, possivelmente, nunca souberam o seu real significado, a sua real importância.
É lamentável ter que admitir que um dos mais admiráveis valores do universo encontra-se hoje quase que em extinção. Ao invés de perguntar-se: “em que lugar poderia o amor ter se escondido?”, poder-se-ia fazer a seguinte pergunta: “em que lugar as pessoas esconderam o SEU amor?”, ou então, “como as pessoas puderam deixar que amor desaparecesse de tal forma?”.
Hoje, deparo-me frente a um mundo “não-serio”, no qual tudo me parece momentâneo. Não há sequer um individuo que pense que a magia de um conjunto de bons momentos pode ser transformado num futuro promissor. Há, contudo, o que se pode chamar de “resto”, que somente pensa no que o “agora” pode proporcionar. Imagino, dessa forma, o tamanho do vazio existente nestes que dão sequer importância ao valor mais belo e puro deste universo.
Tão essencial é o amor, que Deus não brincou quando disse “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” – penso que o único que poderia ser dignamente chamado de Amor Verdadeiro é o Dele.
Ninguém nunca disse que amar seria fácil, entretanto, seu significado foi simplificado a tanto que, hoje, um “eu te amo” é dito da mesma forma como se diz um “bom dia”. Neste sentido, lá vai um “eu te amo” para você.
Penso que amar verdadeiramente seja tão difícil, porque o amor é um sentimento que não vem sozinho, mas traz consigo uma espécie de “caixa mágica”, contendo todos os demais valores: a honestidade, a cumplicidade, o carinho e o respeito. Digo que esta caixa é mágica, justamente porque os valores que dentro dela são encontrados não podem ser comprados; estes valores vêm acompanhados na bagagem de cada ser humano, desenvolvendo-se também através do ambiente o qual estão expostos, amadurecendo, assim, através da experiência.  

O que vale mais?

Pudera eu mostrar a alguns o quão valiosa é a vida. Não creio que possa haver a exatidão de um conceito para defini-la, contudo, poderia dizer que a vida é composta pela experiência adquirida a cada dia, ao sobreviver. Lamentável é que muitos não saibam apreciar cada momento que lhes é proporcionado e, assim, acabam por somente existir, sem viver. Penso que tamanho valor tem a vida, porque estará eternamente envolta em mistério; porque se assemelha a uma pequena caixa de surpresas; por ser constituída de momentos que podem ser inesquecíveis; porque nela, muitas pessoas passam, e mesmo que estas muitas passem, algumas permanecem. Digo que há muitos que existem sem pensar em fazer a diferença, sem pensar em conquistar ideais e, que mais uma vez, apenas existem.
Tamanhas são as coisas que passam diariamente por todos e, da mesma forma, tamanhas são as coisas pelas quais se passa. Tende-se a não prestar a atenção ao que diante dos olhos está, e assim, por vezes, detalhes fundamentais, como a beleza e o esplendor que há em cada canto do universo, passam por despercebidos. “A vida é mesmo coisa muito frágil...” (Por Onde Andei - Nando Reis), a vida é realmente incrível para que alguns a desperdicem sem dar sequer valor ou importância. Pudera eu mostrar a estes que os dias vão, que os anos vão e, que não se pode recuperar o passado ou resgatá-lo, entretanto, pode-se, a cada dia, construir um novo presente para que o futuro possa ser transformado progressivamente.
Pudera eu fazer com que alguns enxergassem a simplicidade da vida e como esta, em sua simplicidade, tão bela é. A mais pura maneira de viver está nos menores gestos, como num abraço verdadeiro, num olhar sincero ou num aperto de mãos; está também nas mais humildes atitudes, como admitir um erro, perdoar a si mesmo e aos outros, aceitar as diferenças ao invés de rejeitá-las. A grande maioria passa tanto tempo observando os defeitos dos que estão ao lado, que acabam esquecendo que o único ser perfeito encontra-se um pouco acima de todos.
Assim, digo que a simplicidade é a chave do viver: está na conduta, no caráter, no estilo, sendo a suprema virtude, o que muitos desconhecem (Henry Wadsworth). Penso que alguns dos segredos da vida sejam: realizar a somente sonhar, fazer a somente planejar, viver a somente esperar e, acima de tudo, acreditar. E mais uma vez acreditar.
Como a vida passa rápido. Incrível, porém, é o fato de cada um ter sido escolhido dentre milhares para vivê-la. Alguns, todavia, dão-se conta de que poderiam ter feito mais, de que poderiam ter vivido mais e experimentado mais, somente ao final, quando voltaram-se para trás e viram que nada mais era digno de algum sentido. Como é a vida... Tão complexa, mas simples; tão frágil, mas forte; tão misteriosa, mas repleta de propósitos.
A vida é a maior riqueza, a maior herança que se pode adquirir, portanto, saber vivê-la adequadamente é realmente uma virtude.  Há momentos, por exemplo, que valem uma vida: receber o brilho mágico de um sorriso espontâneo pela manhã, ouvir a natureza gritar através do canto dos pássaros, observar a grandiosidade do sol e a vivacidade que ele possui ou observar o quão delicada é uma flor, elogiar ou reconhecer uma pessoa querida, divertir-se sem ultrapassar limites. São momentos como estes, que por mais simples que sejam, tornam a vida, quando valorizada, tão mágica quanto ela é.
Admiro-me ao ver tamanha grandiosidade ao observar as coisas mais simples da vida. E, novamente, é na sua simplicidade que se constitui a riqueza do viver. Lamento, porém, ver que muitos pensam que a vida passa vagarosamente, quando na verdade já se passou tanto, que tamanho foi o tempo perdido sem uma finalidade ou propósito a ser alcançado. Estes muitos perderam tanto tempo dando atenção às coisas supérfluas, que acabaram por esquecer-se de construir um sentido à finitude da vida; esqueceram-se de correr por ideais que realmente valeriam à pena, esqueceram-se que poderiam dar valor ao que estava sempre ao lado, mas que nunca fora percebido, esqueceram-se de observar o que importava verdadeiramente, esqueceram-se de experienciar os maiores sentimentos do universo; estes, de fato, acabaram por perder a noção do viver, sem ao menos dar-se conta disso.
Talvez o problema de alguns seja pensar que nunca acontecerá algo ruim consigo, talvez o problema de alguns seja não pensar nos maiores valores, no que realmente importa, nas coisas óbvias, que são, por vezes, tão difíceis de serem compreendidas. Talvez seja o entendimento de alguns... estes podem não compreender o verdadeiro significado do viver, podem não compreender o significado que uma amizade sincera pode ter, o significado que uma mão para apoiar-se ou segurar-se pode ter, o significado que um alguém pode ter; e ainda, podem não compreender a falta que podem fazer a este alguém.
Penso que o sentido do viver está em tudo o que for mais puro, está em tudo o que a grande maioria não pode perceber, embora possa estar diante dos olhos. Espero que ainda haja tempo para alguns perceberem que o grande sentido que tem a vida e, que esta não se encontra no materialismo ou na beleza exterior, porém, encontra-se à frente de cada um, somente aguardando para que seja descoberto. O problema de alguns é que estes acrescentam dias a sua vida ao invés de acrescentar vida a eles, ignorando o simples fato de que somente existir neste mundo, rumando à mudança, já é divertido (Katherine Hepburn). Já disse Abraham Lincoln, que no final das contas não são os anos na vida que contam, mas sim, a vida nos seus anos. Isso sim constitui amplo sentido à finitude da vida e faz com que este sentido realmente valha à pena.

Queridos amigos...

Quando cheguei a determinado ponto da vida, decidi parar para refletir a respeito de alguns fatos que aconteceram ao decorrer de meu plano existencial e que, portanto, deveriam ser analisados calmamente: deste modo, repensei sobre todos aqueles que um dia atravessaram o meu caminho. Imaginem vocês, que lêem este texto, a grandiosa quantidade de amigos que tive nestes anos de existência. São tantos indivíduos, que permiti a mim mesma classificá-los da melhor maneira que encontrei. 
Poderia classificá-los comparando-os a animais, porém, creio ser uma ofensa grande demais a estes pobres coitados (aos animais, certamente). Preferi, portanto, classificá-los da seguinte maneira: os amigos de lado: aqueles que um dia chegaram vagarosamente e decidiram permanecer ao meu lado desde então, e mesmo distantes fisicamente, encontram-se mais próximos do que eu pudera um dia imaginar; os amigos risonhos: aqueles que pareciam estar sempre sorrindo para todos, quando na verdade estavam rindo de todo mundo; os amigos de pedra: aqueles que só serviram mesmo para atrasar a minha vida, fazendo com que eu perdesse o meu precioso tempo, enfim, que serviram muito bem... para atrapalhar; os amigos passatempo: aqueles que só quiseram a minha companhia porque um outro alguém mais interessante não estava disponível no momento em que necessitavam; os amigos de costas: aqueles que me bajulavam incansavelmente enquanto estavam à minha frente, porém, que, quando viravam-se, procuravam nos mínimos detalhes qualquer defeito o qual pudessem comentar. Para estes amigos de costas, poderia eu dar-lhes um espelho, assim, estes poderiam ver de perto o tamanho da sua língua (e - para alguns - de todo o resto), e vendo o tamanho da língua, parariam de encontrar defeitos até em Deus. Há, também, os amigos por engano: aqueles que eu, um dia, cheguei a pensar que poderiam ser aqueles “friends forever”, aqueles que cheguei a pensar que realmente gostassem de minha humilde companhia, porém, tudo não passou de um mero engano, já que somente eu – novamente – cheguei a pensar de tal forma. 
Poderia continuar classificando e classificando os meus queridos amigos, contudo, prefiro parar por aqui, pois estes já me tomaram tempo demais. Vejamos pelo lado bom, pelo menos estas pessoas maravilhosas me renderam um bom texto. Para vocês, que estiverem lendo isto e que acharem que tamanho é meu pessimismo, não discutirei. Pelo contrário, deixarei que o tempo, que é sábio, mostre como são as pessoas que cruzam o caminho de cada um. Pessimismo? Digo talvez, pois alguns têm sorte no quesito amigos. Contudo, gosto de chamar isto de realismo; soa melhor nos dias de hoje.