quarta-feira, 25 de novembro de 2015


Quanto tempo dura um luto?

O luto normal, cujas emoções decorrem de um rompimento com algo ou alguém que se deseja preservar, envolve uma ampla esfera de sentimentos e comportamentos comuns e mesmo esperados, considerando que o contexto coloca à prova o ser humano em relação à finitude da vida. A perda pode ser caracterizada pelo processo que ocorre após uma morte, enquanto o luto tem sido vislumbrado, por diferentes pesquisadores, como um processo essencialmente em estágios, fases e tarefas. Como área de pesquisa e intervenção, no Brasil, os estudos relacionados ao luto têm sido desenvolvidos recentemente, diferentemente dos países do hemisfério norte e naqueles de língua inglesa. Contudo, fontes de pesquisa específicas da área das perdas entendem o luto, semelhantemente, como uma reação natural diante do rompimento de uma relação significativa, apresentando impacto sobre o indivíduo e a família e, muitas vezes, estendendo-se a longo prazo. Por tais razões, torna-se fundamental avaliar adequadamente o choque sofrido em função da perda, a fim de que sejam identificadas as medidas de intervenção a serem propostas.

Tem-se encontrado, mais recentemente, fundamento na concepção teórica de um novo modelo para a compreensão dos fenômenos decorrentes do processo de luto, com respaldo tanto na pesquisa quanto na prática clínica. O Modelo do Processo Dual questiona aspectos visualizados como ultrapassados nas teorias tradicionais que propõem formas de resolução eficientes frente ao luto. Nele, existem dois tipos de fatores estressores, sendo um orientado para a perda e o outro direcionado à restauração, considerando a existência de um processo dinâmico e regulador do enfrentamento, pela oscilação por meio da qual o enlutado pode às vezes confrontar, às vezes evitar as diferentes tarefas do luto. Deste modo, propõe-se que o enfrentamento adaptativo do luto encontra-se amparado pela confrontação/evitação da perda, concomitante às necessidades de restauração. Isto significa que há momentos em que a expressão do pesar é fundamental diante do grau de estresse gerado pela perda, mas também há períodos em que é preciso existir um movimento direcionado à continuidade da vida e ao reinvestimento nas demais relações.

Cada enlutado apresenta um tempo individual para atravessar a dor da perda. Então, pouco é eficiente considerar a temporalidade no contexto específico de um, dois, três meses, por exemplo, quando o processo de luto se trata, sobretudo, das maneiras como cada enlutado dispõe para enfrentar as perdas da vida durante um tempo fundamentalmente singular. O mais importante é que o enlutado se sinta confortável ou, ao menos, num grau menor de estresse para poder dar os primeiros passos rumo ao desligamento e, neste contexto, poder entrar em contato com os pertences ou fotos da pessoa que sente saudade, e mesmo conseguir ir a lugares que a lembre, de modo a não mobilizar-se como inicialmente. É difícil, portanto, afirmar que um luto se encerra. Afinal, o amor é parte da memória e aqueles a quem se ama serão sempre lembrados dentro de nós. Os enlutados, ao longo de um tempo individual, encontrarão modos de lidar com as emoções e sensações provindas da perda, bem como desenvolverão estratégias para continuar a caminhada da vida. Cada pessoa tem a capacidade de crescer, evoluir da dor, ampliar-se e alargar-se para novas formas de viver, podendo encontrar diferentes estratégias de enfrentamento diante das perdas da vida.

Quando não se pode chorar: O que é um luto não-reconhecido?

A morte, o processo de luto e a educação frente ao morrer ainda permanecem temas distantes para muitos. Não poucas vezes, devido aos sentimentos de confusão, estranheza e insegurança que trazem aos que ficam, tornam-se abordagens carregadas de segredos e tabus, permanecendo encobertas pela angústia do manejo com o desconhecido. Não se pode negar que a relação da sociedade com a morte é marcada por evitação e negação. Diante de tantas vozes que se calam em meio às dores de uma perda, lança-se o convite para tratar sobre o luto não-reconhecido. 

Embora muitos possam não saber o significado desta expressão, o luto não reconhecido socialmente está bastante presente no cotidiano de muitas pessoas, seja por meio de um aborto, uma perda perinatal ou um natimorto, o abandono infantil, uma separação amorosa, amputação, perdas financeiras ou materiais, relações de gênero e as mais diversas representações atribuídas por estas fatalidades de forma individual. O luto não reconhecido refere-se à falta de um espaço concreto e simbólico (quando não se dispõe de um ambiente real e que também possa promover sentido às pessoas acometidas por uma perda) para que haja a expressão das emoções diante das mudanças, a validação do sofrimento e intervenção diante de diferentes circunstâncias de morte. É a impossibilidade de pensar ou agir frente a momentos em que não há um corpo para velar (no caso de perda por morte) ou rituais que permitam a exposição emocional e o compartilhamento das tristezas com uma rede de apoio capaz de amparar. Geralmente, seu conceito pode ser percebido por meio de “regras de luto” que estão a serviço de especificar “quem”, “quando”, “onde”, “como”, “por quanto tempo” e “por quem se deve expressar”.

Há muito o que ser abordado sobre este tema, a fim de ser desmistificado. Tratar de lutos não reconhecidos ao longo da vida significa abrir caminhos para refletir sobre a importância de falar de sentimentos, pensamentos, emoções, condutas, planos, vontades. O luto, quando ignorado ou mesmo não abordado por medo ou receio do que a sociedade pode vir a pensar ou fazer a partir deste evento, pode se tornar um fator de risco importante para o adoecimento físico, psicológico e social de muitas pessoas, à medida que não encontram suporte necessário junto à uma rede de apoio para favorecer o manejo com as condições limitantes e poder seguir com a vida ao longo de um tempo individual.

É importante saber que o luto é um processo normal e mesmo esperado de elaboração de qualquer perda durante o ciclo vital, sendo fundamental para a saúde mental, na medida em que proporciona maneiras de reconstrução de sentido e recursos de adaptação. Além disso, encontrar um espaço para autorizar-se sentir, falar e expressar o pesar pela perda, seja por morte ou outros tipos de rupturas que acontecem na vida é poder encontrar um lugar seguro para aquilo que machuca nos momentos iniciais. Embora muito se tente encobrir, o processo de luto é necessário na medida em que é preciso dar sentido ao que aconteceu na vida de cada pessoa, para a possibilidade de retomada de controle sobre si mesmo, sobre o mundo e as demais relações afetivas. Negligenciar esta questão pode levar a riscos para a saúde pública em diferentes níveis.

O psicólogo como cuidador da alma

O cuidado na relação psicólogo x paciente é essencial. Cuidar se trata, especialmente, de uma proposta de amor. A vontade de ajudar vem de dentro, da empatia e compaixão pelo outro, do compartilhar dos afetos e do contágio emocional que acontece durante um encontro. Cuidar significa importar-se com quem se encontra imerso num momento em que a dor parece ser maior que a vontade de seguir. Ao profissional da psicologia, cabe sensibilidade para a compreensão da diversidade humana, além da atenção e coragem para a possibilidade de intervir nos porões mais obscuros e, muitas vezes, sombrios da alma. O cuidado essencial, por parte do psicólogo, refere-se ao desenlaçar dos nós da mente daqueles que percorrem pelas controvérsias da existência. Cuidar, portanto, significa mais que um ato, mas uma conduta que envolve momentos de atenção, zelo e desvelo, representando modos de ser e fazer relacionados à preocupação, responsabilização e ao envolvimento afetivo com o outro.

Cuidar representa, sobretudo, a oportunidade de ampliar caminhos para que o paciente siga, a seu tempo, confiante numa estrutura saudável e segura que pode ser conquistada pelas suas próprias capacidades, aprimoradas pela mediação do cuidador psicólogo. É o cuidado prestado pelo profissional da psicologia que permite que o paciente alcance o seu próprio desenvolvimento e estabeleça o melhor trajeto para atravessar as mudanças da vida. Assim, o acompanhamento psicológico estende a busca de sentidos e significados por meio de um convite para que o paciente se aproxime de si mesmo conheça, sem receios, tanto a inconstância arenosa quanto a consistência sólida dos terrenos de sua história. 

Atuar na perspectiva de cuidador em psicologia frente às transições da vida significa estar junto, próximo e disponível a compreender o enredo da existência; tolerar as limitações ou frustrações diárias e promover suporte e apoio frente aos movimentos de mudança de cada paciente cuidado, reconhecendo seus diferentes momentos. Trata-se de uma espécie de relação em que o cuidador permite-se preencher pela nostalgia de quem é cuidado, numa transição entre os modos de ser, pensar e fazer. É, principalmente, ter a possibilidade de exercitar as diferentes formas de amar numa dimensão para além do reducionismo de uma técnica que apenas esteja fundamentada na prática, mas tampouco deixar de considerá-la uma questão importante frente à atuação em psicologia e atenção em saúde física e mental. Já dizia Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, que por mais que se conheça todas as teorias e se domine todas as técnicas, ao tocar uma alma humana, é preciso ser essencialmente outra alma humana. Cuidar se refere ao acolhimento que possibilita o vínculo seguro, semelhante a um abraço capaz de unir todos os fragmentos. E, embora a dor não seja passível de ser sentida em sua integridade, pode ser transformada em cura, com o tempo, quando da possibilidade de ser reconhecida, expressa e compartilhada num trabalho conjunto entre psicólogo x paciente. 

Por tantas razões cabe ao psicólogo, enquanto cuidador, estender a sua mão. Todavia, a mesma mão que é estendida e acalenta também pode ser a mão que solicita ajuda e se distende para buscá-la. Convém, àquele que cuida, “tirar os seus sapatos” para permitir-se sentir a diversidade de densidades e levezas frente ao extraordinário desafio de ser humano; e “tornar a calçá-los” depois de se deixar mergulhar em tamanha profundeza. Assim, segue-se todo o aprendizado de uma equipe que é construída durante o processo de uma psicoterapia (o cuidador psicólogo e a pessoa cuidada) e cujo conhecimento é possível frente a cada encontro, numa experiência que nunca se finda em sua mais nobre riqueza.

Consulte um psicólogo e permita-se conhecer-se melhor nas suas dificuldades e potencialidades. Para cuidar bem do outro, antes é preciso cuidar bem de si mesmo. Trata-se de integridade. Que o cuidar seja por inteiro, com aconchego de verdade. Cuidar é, sobretudo, uma proposta de amor... consigo e com o outro!

O luto pela separação nas relações amorosas

Uma vez que o amor é um vínculo e que a característica mais marcante deste está na resistência às separações, é possível supor que a intolerância ao rompimento é considerada uma experiência de luto. tratando deste contexto, é importante ponderar que embora o sentimento de amor seja vislumbrado como consequência da formação de uma relação de apego, um relacionamento bem sucedido pode ser aquele no qual a separação ou o afastamento são passíveis de ser toleráveis, em razão da existência da confiança de que o outro retornará quando necessário. Na separação amorosa, as emoções emergem da ruptura da estabilidade, da desconstrução dos planos, da fragmentação da dupla para a individuação. Por tais razões, é preciso considerar a dor provinda de uma série de mudanças.

A experiência do rompimento de uma relação de amor é, de fato, intensa e dolorosa. Abrange questões que seguem desde a concretude dos significados como, por exemplo, tirar uma aliança ou as fotos dos portarretratos espalhados pela casa, como também parte para a representatividade do elo antes formado que, no momento da separação, fica fragmentado devido ao “aborto” de uma espécie de cordão que formava o ideal, o par – aquilo que significava conjunto.

As desilusões amorosas geram aflição, causam dor, angústia e sofrimento, em razão de estarem relacionadas às perdas reais e simbólicas de tudo o que antes era e não mais é – ou passa a ser de uma forma diferente. O luto devido à separação de duas pessoas que se uniram pelo amor emerge em virtude da necessidade de reconhecer a perda de um objeto que, até então, poderia representar segurança e estabilidade. Logo, o pesar provindo pelo rompimento constitui uma experiência de luto pelo vínculo formado – este que permite que se possa estabelecer relações afetivas próximas e íntimas com os pares – e modificado pela opção da individualidade.

Diante das desconstruções e mudanças que as perdas impõem, é fundamental buscar auxílio, seja de uma rede de apoio composta por familiares, amigos ou demais pessoas próximas, bem como ajuda profissional. Utilizar-se dos recursos disponíveis promove meios para reflexão e também para a reconstrução da vida de uma forma diferente ao longo de um tempo que é individual. É preciso, sobretudo, trabalhar com as emoções que surgem devido à separação, levando em conta o que a relação representava/representa, os vínculos estendidos, a construção de estratégias seguras e estáveis diante de uma crise e a reconstrução da vida partindo de uma nova perspectiva de ampliar-se para o reinvestimento em si e no outro, não desconsiderando as lembranças do passado, que um dia foram ou continuam sendo importantes.

O luto pela passagem do tempo

A morte é um fenômeno universal e constitui elemento integrante do desenvolvimento humano desde a sua mais tenra idade. Ao refletir a respeito da sua existência, o homem não pode mascarar, quanto menos omitir a transitoriedade da vida como etapa constituinte do ciclo vital. Durante este percurso, ele se depara com questões que são constantemente reformuladas a respeito da contingência da vida, seu início e fim e o transcorrer da sua história. Esta circunstância faz com que o ser humano pense acerca do seu existir, bem como da fragilidade pela qual ele se compõe.

Para alguns, a morte é o fim de todas as coisas. Para outros, transformação. Há quem diga que a morte constitui uma passagem para outro plano da existência. Também há quem a ignore ou se resguarde das reflexões acerca deste evento. Frente a uma época em que reconhecer a finitude humana torna-se desafiador ao homem, diferentes concepções acabam sendo produzidas, pela sociedade, na tentativa de dar conta das angústias que, porventura, poderiam desconstruir a sensação de estabilidade e controle sobre a passagem do tempo.

O tempo, uma noção inerente ao ser humano – que o permite reconhecer e ordenar a ocorrência dos eventos diários de acordo com a percepção dos sentidos – torna-se uma questão semelhantemente angustiante quando pensado como percurso com início, meio e fim. O transcorrer de um ciclo implica no transitar de um conjunto de momentos que, embora necessários frente à consolidação de uma vida, impõe, a cada novo dia, a proximidade com questões relativas à finitude. Isto porque a trajetória do tempo está, sobretudo, associada às mudanças; e estas demandam uma série de “re”: readaptações, reajustes, reordenações, recomposições, reconciliações e, especialmente, recomeços. A passagem do tempo clama pela diferença, pela novidade; e o novo gera desconforto, porque implica metamorfoses que desacomodam.

É importante recordar que o luto não está apenas associado ao processo natural decorrente da morte propriamente, mas a todas as grandes perdas da vida que geram algum grau de estresse e desconforto – e aí pode-se pensar em afastamentos, perda das capacidades física ou psicológica, perda de um ambiente conhecido como cidade, estado ou país, perdas materiais ou que envolvem algum vínculo afetivo ou mesmo de algo que representa importância e que se deseja preservar, além das demais experiências que envolvem oscilações e requerem uma nova organização interna e externa do indivíduo.

O ser humano vive permeado por lutos desde o início da vida. Afinal, o bebê, logo de seu nascimento, necessita perder o quentinho e protetor útero de sua mãe para poder se desenvolver, ampliar-se e apreender o mundo a sua volta. Concomitante a este evento, num processo necessário, a mãe também se desprende de parte de si mesma – o bebê – para poder cuidar de um ser diferente num espaço também separado. E este bebê que, desde o início, precisa se ajustar a um novo e desconhecido ambiente, estará continuamente adaptando-se e reconstruindo modos de ser e fazer para enquadrar-se no ciclo das aprendizagens; da conquista de novos esquemas e espaços a partir de um crescimento e amadurecimento constantes; das mudanças físicas e psíquicas; da busca por novos ideais, planos e, eventualmente, frustrações; novos estilos, sabores, cores e amores. Estar aberto para as novidades do mundo também significa arriscar-se às perdas decorrentes do que se tem que mudar. Afinal, nem tudo serve para sempre; e isto não se trata de inutilidade, mas de necessidades que vão sendo modificadas ao longo do existir.

Experimentar sentimentos ligados a uma perda, decorrentes das metamorfoses da vida, também constitui parte natural e esperada de um processo de transformação e sabedoria que todo mundo percorre. Superar as mudanças requer antes atravessá-las e, para atravessá-las, é preciso estar ciente das perdas necessárias.

O luto pela perda de órgãos e membros

Considera-se que as razões mais comuns para a amputação de membros ou a retirada de órgãos estão voltadas a tumores ou traumas derivados de acidentes. Nestes casos, o foco da atenção está comumente direcionado ao tratamento da patologia, a fim de salvar a vida do paciente. Tais procedimentos acabam sendo sugeridos de forma secundária, em caso de surgimento de eventuais complicações, tendo como finalidade primordial o controle ou cura da enfermidade ou trauma. Por tratar-se de um procedimento delicado, costuma-se esgotar, em primeira mão, as demais possibilidades antes da decisão final de prosseguir com o diagnóstico – tudo com o objetivo de promover maior bem-estar à pessoa e permitir-lhe a continuidade da vida.

Geralmente, as amputações são vistas como condutas agressivas de mutilação e desestruturação extremas para os pacientes e seus familiares, por tratar-se da desorganização de uma estabilidade que coloca-os frente ao temor pela doença e, muitas vezes, da própria morte. O que acontece é que a retirada de órgãos ou membros traz sempre o simbolismo relacionado à incapacidade, à impossibilidade, às mudanças e readaptações. Deparar-se com a perda de parte de si faz alusão ao receio quanto ao futuro. Naturalmente, este processo apresenta significados diferentes para cada pessoa, tendo em vista que podem variar de acordo com a história pessoal, em que momento decorre do ciclo vital e a razão pela qual este procedimento se faz importante. Por tantas razões que dizem respeito ao que a amputação representa na vida da pessoa que atravessa esta experiência é que se torna fundamental poder falar sobre as transformações subsequentes. Trata-se da vivência reconhecida e validada como mudança importante na vida, a fim de que possa ser elaborada ao longo de um tempo individual pela pessoa que a experimenta.

Neste momento, é essencial contar com o auxílio e amparo dos familiares e demais pessoas queridas, bem como da equipe multiprofissional em que, juntos, formam uma rede de apoio segura e capaz de favorecer o processo de recuperação, facilitando a reabilitação e reinserção do paciente em sociedade em momentos posteriores. Afinal, estar-se-á falando de uma pessoa inteira, vista como um todo. A perda de um membro ou a retirada de um órgão não diz respeito à integralidade do ser humano, mas a uma parte de si que pode se regenerar quando vislumbrada em questão de sentido e significados. Na medida em que se torna possível enxergar o paciente de forma global, estar-se-á valorizando a vida como um todo, e não apenas uma etapa dela. O luto pela perda de membros ou órgãos é importante, pois constitui um dos capítulos do livro da existência, mas o sentido do conteúdo apenas se apresenta quando é possível “ler” o material por inteiro. Afinal, a obra da vida é composta pelo livro completo em sua edição mais atualizada.